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A vitória frente ao Gafanha, no passado dia 29 de janeiro, na final da fase distrital, deu o título à equipa de sub14 femininos de basquetebol da Associação Desportiva Sanjoanense, que há oito anos não erguia semelhante troféu. Segundo Frederic Pina, treinador do escalão, foi o culminar de um trabalho iniciado há cerca de quatro anos e é resultado do empenho, dedicação e humildade de todo o grupo.
Segue-se, agora, o Campeonato Nacional. O técnico reconhece as dificuldades, mas não coloca de parte nenhum cenário. O objetivo passa por pensar jogo a jogo, mas não esconde a ambição de ver a equipa alcançar num dos dois primeiros lugares da classificação

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“Tudo é considerado impossível até acontecer”

FOTO: Direitos Reservados
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A vitória frente ao Gafanha, no passado dia 29 de janeiro, na final da fase distrital, deu o título à equipa de sub14 femininos de basquetebol da Associação Desportiva Sanjoanense, que há oito anos não erguia semelhante troféu. Segundo Frederic Pina, treinador do escalão, foi o culminar de um trabalho iniciado há cerca de quatro anos e é resultado do empenho, dedicação e humildade de todo o grupo.
Segue-se, agora, o Campeonato Nacional. O técnico reconhece as dificuldades, mas não coloca de parte nenhum cenário. O objetivo passa por pensar jogo a jogo, mas não esconde a ambição de ver a equipa alcançar num dos dois primeiros lugares da classificação

Labor: Quais os objetivos que foram traçados para esta equipa no início da temporada? 
Frederic Pina: Para responder a isso é necessário esclarecer que este foi um trabalho iniciado há uns quatro anos, quando, por iniciativa própria, para além dos sub16 femininos, quis treinar os sub12 femininos, dando continuidade ao trabalho que estava a ser desenvolvido no minibasquetebol. Claramente, na altura, a minha ideia era preparar estas miúdas fantásticas para serem competitivas nesta presente época, e conseguimos estar na luta pelos primeiros lugares. Bem lá no fundo tinha ideia de tornar esta equipa campeã e com um espírito de combatividade acima da média. Felizmente, no ano passado já fomos vice-campeões distritais e estivemos presentes no ponto mais alto a nível nacional, onde disputamos a fase final, que decidia a melhor equipa de Portugal, algo que não acontecia no escalão há oito anos. Temos que ser realistas. Deixamos equipas mais preparadas e experientes que nós, mas o trabalho das miúdas foi fantástico.
Considero que a experiência do ano passado fez crescer imenso a equipa, ajudando agora ao resultado obtido.

O título distrital alcançado no último fim de semana era, então, um objetivo? 
Iniciamos a época conscientes de que tínhamos um grupo muito engraçado, humilde, trabalhador, com uma capacidade de superação acima da média, mas, acima de tudo, muito homogéneo. Os indícios eram bons, mas ao mesmo tempo sabíamos que havia várias equipas mais atleticas e, consequentemente, mais fortes fisicamente que a nossa. Essa era a nossa principal dificuldade. Para além disso, havia a equipa do Gafanha, que era considerada por todos a principal candidata ao título, que conta com um grupo muito atlético e com duas ou três jogadoras que podem resolver qualquer jogo devido à sua técnica e poderio físico. Aliás, era favorita para todos, menos para o nosso grupo de trabalho, que tinha a esperança de conseguir contrariar esse favoritismo. Portanto, acho que podemos dizer que, apesar de “camuflado”, esse era um dos nossos objetivos.

Como descreverias, até ao momento, o percurso da equipa de sub14 femininos ao longo da época?
Considero que foi um percurso fantástico a todos os níveis. Na fase regular na primeira volta, apesar dos resultados positivos, tivemos algumas dificuldades, mas superamo-nos sempre, no entanto averbamos uma derrota com o Gafanha. Na segunda metade já estávamos mais rotinados, com mais à vontade, mais confiança e cientes do nosso valor, pelo que os resultados foram quase todos melhorados até ao jogo com o Gafanha, em que perdemos, novamente, em nossa casa por sete pontos. Tínhamos o objetivo de ganhar por nove para organizarmos a fase final em S. João da Madeira. Mas o adversário foi melhor, e ainda bem, porque foi o jogo chave para o que faltava. Não só pelo resultado, mas também pela forma como fomos menosprezados por quem, por vezes, não sabe ganhar. “Só falta mais um jogo para sermos campeões”, foram algumas das frases referentes ao Gafanha, bem audíveis no nosso pavilhão, relativamente ao encontro que faltava na fase distrital, precisamente contra nós. Isso deu-nos ainda mais alento e uma energia extra para a desforra que só este grupo de trabalho e equipa técnica sabem.

Não foi, então, um percurso fácil para chegar à fase final?
Não, não foi um percurso fácil. Foi um percurso sempre em crescendo, mas a determinada altura, sem perder a humildade, sentimos que podíamos fazer coisas giras este ano.

E quais é que foram as principais dificuldades com que a equipa se deparou e que teve de ultrapassar?
Foi conseguir trabalhar as cabeças das meninas, retirando-lhes qualquer tipo de pressão, e contornar a parte atlética, onde continuamos a ser mais débeis que qualquer outra equipa, com uma estatura mais baixa, mas, ao mesmo tempo, mais móveis e “chatas” a defender.

Com a presença na fase final distrital assegurada, como foi gerir tudo isso? 
Considero que gerimos de uma forma inteligente e não pressionada. Só tínhamos que dar o nosso melhor, sem nenhuma pressão. Essa pressão teria que partir de quem organizava a fase final sem nunca ter perdido.

Já na fase final a Sanjoanense estava ciente das dificuldades, mas, ainda assim, conseguiu surpreender e alcançar o título. Qual foi o segredo ou motivação? 
O segredo foi o trabalho excecional que estas miúdas realizaram até ao momento da fase final. A forma como se dedicaram, acreditando sempre que era possível fazer mais e melhor, e a forma como nos preparamos para este momento fizeram a diferença. Foi tudo preparado ao pormenor, com uma disponibilidade incrível das atletas e dos pais. Dentro disto, há uma frase que está sempre presente no nosso dia a dia: “Tudo é considerado impossível até acontecer”.

Ainda assim, o primeiro jogo demonstrou essas dificuldades, com a Sanjoanense a vencer por apenas um ponto. Foi essa vitória que empurrou a equipa para uma final exemplar?
Foi, sem dúvida, o “clique” necessário. É daqueles jogos em que podemos estar toda a noite a jogar que vai ser difícil acertar no cesto. Havia gente no pavilhão que já nos dava como acabados, mas quem viu o jogo, onde tudo pode correr mal, apercebeu-se da atitude guerreira que estava presente nas atletas da Sanjoanense. Isso deixou-me satisfeito. Depois tivemos a estrelinha do jogo do nosso lado.

No último dia de competição, a um passo de garantir a presença no Campeonato Nacional e com a luta pelo título ao alcance da equipa, como é que todo o grupo encarou os últimos jogos? 
De forma serena e consciente, já que todos os treinos e esforços estavam a ser recompensados e estávamos onde queríamos e sonhávamos estar, no momento das decisões. De manhã foi um jogo difícil e esforçado contra o Galitos, campeão distrital em 2015/2016. Não conseguimos gerir, como seria necessário, o esforço para o encontro da tarde. Mas também sabíamos que para podermos pensar no jogo da tarde teríamos de vencer o da manhã.

A final ditou um encontro com a equipa da casa (Gafanha), que ainda não perdeu esta época. O favoritismo parecia estar do lado das locais. Como é que a Sanjoanense contrariou isso e acabou por vencer? 
Claramente o favoritismo caía para o lado do Gafanha. Para além de jogar em casa, contava com um pavilhão cheio, a claque de futebol presente, nunca tinha perdido e tem uma equipa muito atlética e com duas ou três jogadoras que fazem, realmente, a diferença. Tínhamos a lição bem estudada. Teríamos que defender excecionalmente bem e conseguir controlar as emoções, já que o facto de nunca termos vencido o Gafanha, lá no fundo, mexia na cabecinha das jogadoras da equipa.
Realizamos um jogo com uma intensidade muito boa e demonstrámos um espírito de equipa assinalável, um querer fenomenal, uma superação acima da média e um coração incrível. Fomos mais fortes taticamente e, sinceramente, as nossas debilidades atléticas pouco se notaram, tal era o crer destas miúdas fantásticas, que tiveram um controle emocional muito bom e sempre com a velha máxima presentes: “Tudo é considerado impossível até acontecer”.

Foi fácil com isso em mente?
De fácil não teve rigorosamente nada e assim soube ainda melhor.

Do teu ponto de vista, o que é que este título distrital representa para as atletas? 
Acho que representa muito, já que só elas sabem o esforço que têm feito até ao momento e o que é andar sempre atras do prejuízo, onde claramente tiveram que surpreender e superar-se para obter este título. 

E para ti, enquanto treinador?
Tem um sabor especial devido algumas circunstâncias que se passaram, que nem vale apena referir, e pelo fato de termos surpreendido. Felizmente tenho já muitas histórias felizes para recordar e esta é mais uma. Foi bom, mas já é passado. Agora o que interessa é o presente e o futuro, que é já este fim de semana.

Segue-se agora o Campeonato Nacional. Qual o objetivo definido?
O objetivo é pensar jogo a jogo. Neste momento a equipa está com algumas dificuldades físicas que estamos a tentar ultrapassar, porque ter todo o grupo disponível é diferente de jogar com algumas baixas.
No que diz respeito ao campeonato, ainda não temos conhecimento profundo dos adversários, mas sabemos como trabalhamos. Temos que disputar cada jogo como se fosse o último e ter a ambição para ficarmos nos dois primeiros lugares para passarmos à fase seguinte. É difícil? Muito. É impossível? Nunca. Vamos à luta.

O sucesso deste percurso, em particular na final, deve-se exclusivamente ao trabalho da equipa?
Não. Todos os pais e simpatizantes foram enormes e conseguiram colocar em prática uma claque organizada. Também não podemos deixar de agradecer aos patrocinadores RentPiano e WorldPack, dos sub16 e sub14 femininos, respetivamente, pelo apoio que têm dado às duas equipas, e à Mónica pela ajuda nesta fase final. As miúdas de sub16 femininos também tiveram um papel importante pela forma como ajudaram e apoiaram este escalão, tal como o escalão de sub14 masculinos e o treinador Carlos Abreu pelos jogos “durinhos”, que nos ajudaram as estar mais preparados. Não posso deixar de mencionar o apoio incansável e a disponibilidade dos seccionistas José António e Margarida Resende, bem como das empresas Sinflex, JA Embalagens e Esmeraldina Silva Coelho & CA Lda pelo apoio logístico prestado, e ao cabeleireiro Insinuante pelos lanches fornecidos. Também tenho que agradecer aos meus pais e irmão e à fisioterapeuta Silvana Lopes pela forma ativa com que ajudou na recuperação e tratamento das atletas, bem como a toda a direção do basquetebol e da Sanjoanense, e aos colegas treinadores, em particular o Victor Cabral, que esteve presente nos dois jogos em que estive privado de me sentar no banco.
Uma palavra também para o meu treinador adjunto, Jorge Leão, por ser uma pessoa fantástica, pela ajuda fundamental em todo este processo, e por transmitir a verdadeira mística Sanjoanense.
Também não posso deixar de dedicar este título aos falecidos Sr. Ilídio e Sr. Gabriel, que adorava esta equipa. Foram duas pessoas que me marcaram.

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