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"Um artista à frente do seu tempo e esse tempo chegou. De o conhecermos melhor", disse o presidente Ricardo Figueiredo

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A obra inacabada de Luís Pinho

FOTO: Diana Familiar
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"Um artista à frente do seu tempo e esse tempo chegou. De o conhecermos melhor", disse o presidente Ricardo Figueiredo

A exposição "Luís Pinho. O absoluto da arte numa obra inacabada" foi inaugurada no dia 16 de maio nos Paços da Cultura.
O artista homenageado completaria 71 anos no dia 16 de maio, data em que também é assinalada a elevação de S. João da Madeira a cidade.
A apresentação prévia de Luís Pinho e da sua obra coube ao médico Flores Santos Leite, a Daniel Pinho, em nome da família do artista falecido, a Ricardo Figueiredo, Presidente da Câmara Municipal (CM) de S. João da Madeira (SJM), e ao professor e arquiteto Sidónio Pardal, também primo e amigo íntimo do homenageado.
O médico não pretendeu de modo algum ser um crítico de arte, mas "somente um sanjoanense sobrevivente do tempo a dizer algo sobre um outro sanjoanense de mérito, o Luís Pinho". Flores Santos Leite prefere ser considerado "um apresentador de almas" como a do Mané, como era conhecido o artista Luís Manuel Pinho.
O médico quis ser "fiel à verdade" em tudo o que foi Luís Pinho durante a sua vida sempre com "respeito" e "consideração".
O artista sanjoanense viria a falecer muito cedo com apenas 22 anos deixando muitos sonhos por concretizar, muitas ambições por alcançar e muita arte por descobrir. "O botão da flor (do artista) não se abriu totalmente ao olhar do mundo", recordou Flores Santos Leite. O médico sanjoanense terminou com a leitura do poema "Reconhecimento", da sua autoria, dedicado a Luís Pinho.
A exposição de homenagem a Luís Pinho nasceu do "esforço" e da "vontade" de Ricardo Figueiredo e da CM de SJM, reconheceu e agradeceu Daniel Pinho, em nome da família do artista, visivelmente emocionado. "A família nunca esquecerá este dia", salientou Daniel Pinho.
O artista Luís Pinho era "um artista à frente do seu tempo e esse tempo chegou. De o conhecermos melhor", disse o presidente Ricardo Figueiredo, sobre esta iniciativa através da qual "estamos a fazer história".
“O artista pressentiu que o mundo estava a mudar e demonstra, através da sua obra, estar empenhado nessa transformação. Foi, assim, um jovem à frente do seu tempo. Explorou o desconhecido e abriu caminhos na cultura que apenas no início do século seguinte a sua cidade soube trilhar com segurança, transformando-se numa cidade cosmopolita, com a vida cultural com que possivelmente o jovem artista sonhou e em que a criatividade é um fator de competitividade”, lê-se na nota de apresentação de Ricardo Figueiredo no catálogo da exposição sobre Luís Pinho.
As pessoas que o conheceram ou que não tiveram oportunidade podem agora fazê-lo através de uma linguagem universal que é a arte.
O reconhecimento público do mérito de Luís Pinho enquanto pintor começou na exposição no Teatro Avenida em S. João da Madeira e numa outra na Associação de Estudantes do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas em Lisboa.
Sidónio Pardal diz a certa altura no catálogo desta exposição que “não seria correto classificar esta obra de eclética. Vejamo-la antes como um conjunto de trabalhos exploratórios, ensaios sobre a arte de pintar, uma obra inacabada que mostra o génio de um pintor”.
Os quadros em exposição foram criados entre 1965 e 1968 por Luís Pinho. Pouco depois “um acidente de automóvel tirou-lhe a vida em junho de 1968 e fica a doer para a eternidade a trágica falta do familiar e amigo e a perda de um génio nos seus primeiros passos com toda a obra que ficou por realizar e que sentimos como tesouro cultural que nos foi sonegado”, escreveu Sidónio pardal no catálogo que homenageia a vida e obra de Luís Pinho de quem “ficou este acervo de 43 pinturas que hoje nos comprometemos a salvaguardar sempre”.
A exposição "Luís Pinho. O absoluto da arte numa obra inacabada" estará patente até setembro nos Paços da Cultura. Uma história, uma obra e uma arte a conhecer e a não esquecer.

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