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Albergue para Animais Errantes leva a troca de galhardetes

FOTO: Diana Familiar
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O projeto de construção de um Albergue para Animais Errantes foi apresentado pela munícipe Teresa Oliveira ao Orçamento Participativo Municipal (OPM) de 2014 da Câmara Municipal (CM) de S. João da Madeira (SJM).
A proponente Teresa Oliveira concorreu na qualidade de munícipe ao OPM, mas o projeto seria destinado a Ani S. João, associação da qual é presidente.
A munícipe Teresa Oliveira e presidente da Ani S. João acompanhada de Raquel Pinho, vice-presidente da mesma associação, reuniu com a CM de SJM. De facto, "reunimos muitas vezes e em nenhuma delas foi facultado fisicamente o projeto muitas vezes ajustado ao orçamento curto", afirmou Raquel Pinho, em nome de Teresa Oliveira, no período de intervenção antes da ordem do dia da assembleia municipal, esclarecendo que "o projeto físico só chegou às nossas mãos em dezembro de 2016".
Desde então, o projeto de construção do Albergue para Animais Errantes tem tido desenvolvimento dignos de "escrever um livro" ou até mesmo "uma telenovela", constatou a vice-presidente da Ani S. João.
A começar pelo facto de "vermos que querem construir um edifício de luxo" quando precisamos do "mínimo" e de "conforto" para os animais (cães e gatos) e para quem trabalhar no albergue, indicou Raquel Pinho.
Assim sendo, Raquel Pinho pediu à CM de SJM o agendamento de uma reunião entre si, a associação e a empresa. A ideia é "quebrar os intermediários e explicar à empresa o que é preciso reajustar para que o espaço se possa adequar às necessidades da Ani S. João", explicou Raquel Pinho.

"Para atingirmos os nossos objetivos, ainda que sejam os mais nobres, não vale tudo"

A seguir Ricardo Figueiredo, presidente da CM de SJM, interveio sobre a construção do Albergue para Animais Errantes. "Para atingirmos os nossos objetivos, ainda que sejam os mais nobres, não vale tudo", começou por dizer Ricardo Figueiredo, recordando que quando Teresa Oliveira concorreu com o projeto ao OPM o regulamento previa que não podiam concorrer associações. "Nessa altura dava jeito concorrer a título pessoal", disse Ricardo Figueiredo, lembrando que a própria Raquel Pinho admitiu que toda a gente sabia que o projeto era destinado à Ani S. João. "O júri decidiu permitir e considerar" a proponente e o projeto, afirmou o presidente da CM sanjoanense. Falar do OPM é falar de "dinheiro público, projetos apresentados com seriedade. Se realmente se tratava de um projeto encapuçado acho incorreto", esclareceu Ricardo Figueiredo.
Em relação a prazos, "não pode alegar atrasos por razões estranhas a si própria e a Teresa Oliveira" porque "fizemos sucessivas reuniões e estivemos sempre abertos à comunicação", salientou o autarca sanjoanense.
Entre as dificuldades esteve "a escolha do terreno por parte das senhoras que demoraram quase um ano", afirmou Ricardo Figueiredo, recordando que o terreno custou cinco mil euros descontados ao valor de 80 mil euros ganho pelo projeto no OPM 2014.
O projeto foi gizado com base na "vossa experiência e supervisão", mas "quando demos o projeto final vieram ter connosco, acompanhadas da engenheira Luísa Ramalho, para efetuar alterações pertinentes ao projeto".
O concurso foi lançado por três vezes e só à terceira é que viria com um valor inferior ao orçamento de 75 mil euros.
O projeto acabaria por não cumprir os requisitos do Albergue para Animais Errantes idealizado pela Ani S. João, segundo Ricardo Figueiredo. Nesse sentido, questionou a Raquel Pinho sobre um ou outro aspeto. Primeiro, "o projeto que está a ser executado cumpre com o proposto ao OPM? Quais as alterações que tinham de ser feitas para cumprir? Teresa Oliveira, na qualidade de presidente da Ani S. João, aceitaria um protocolo com a câmara, em que ficaria a gerir o espaço?". Segundo o autarca, a resposta à primeira questão foi "não. Não cumpre o que foi submetido ao OPM", provocando "uma surpresa total porque fizemos muitas reuniões", revelou o presidente da CM de SJM. Depois, seria necessário "uma série de requisitos para cumprir com o projeto, mas não cumpria o orçamento" e por último "não aceitou a gestão do espaço tal qual como está a ser construído", divulgou Ricardo Figueiredo.
O projeto de construção do Albergue para Animais Errantes conseguiu 80 mil euros no OPM 2014. "Se querem mais meios (financeiros), os meios que estão a usar são incorretos", concluiu o presidente da CM de SJM.
A discussão deste assunto terminaria com uma cidadã a dizer: "Quem não gosta de animais, não gosta!" à medida que ia saindo da sala de reuniões do Fórum Municipal.

“Nunca disse que não aceitava a gestão do espaço tal e qual como está”

O nosso jornal entrou em contacto com Teresa Oliveira que começou por dizer que “o presidente está a mentir quanto ao terreno”, isto é, não demoraram quase um ano a escolher o espaço onde viria a ser construído o Albergue para Animais Errantes.
Realmente só pessoas particulares podiam apresentar uma proposta ao OPM 2014, mas “toda a gente sabia” que os projetos apresentados por si tinham como finalidade criar um melhor espaço para a Ani S. João, afirmou Teresa Oliveira ao labor.
A presidente da associação reiterou o interesse em reunir com a CM de SJM e a empresa para que possam reajustar o que é necessário para ir ao encontro do Albergue de Animais Errantes.
“Aceitamos o projeto, mas com restruturações”, disse Teresa Oliveira, reconhecendo, “sabemos que o dinheiro não dá para fazer tudo e temos de dar continuidade aquilo”.
“Nunca disse que não aceitava a gestão do espaço tal e qual como está”, esclareceu Teresa Oliveira ao labor.
A Ani S. João acabou de pedir uma reunião urgente com a CM de SJM que deverá realizar-se até ao fim do mês.

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