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Ao longo da sua vida, Nuno Silva tem mantido uma ligação estreita com o andebol e o único interregno foi forçado quando, por motivos profissionais, teve de se mudar, durante dois anos, para S. Miguel, no Açores.
Com uma vasta experiência como jogador, foi como treinador que Nuno Silva descobriu uma das suas paixões e foi nesse cargo que conduziu a Associação Académica de S. Mamede à 1.ª Divisão Nacional.
Agora, à frente da equipa sénior de andebol da Sanjoanense, o técnico tem como objetivo colocar a formação alvinegra no escalão principal da modalidade

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“Vou atrás do sonho que as pessoas têm em lá chegar”

FOTO: Nuno S. Ferreira
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Ao longo da sua vida, Nuno Silva tem mantido uma ligação estreita com o andebol e o único interregno foi forçado quando, por motivos profissionais, teve de se mudar, durante dois anos, para S. Miguel, no Açores.
Com uma vasta experiência como jogador, foi como treinador que Nuno Silva descobriu uma das suas paixões e foi nesse cargo que conduziu a Associação Académica de S. Mamede à 1.ª Divisão Nacional.
Agora, à frente da equipa sénior de andebol da Sanjoanense, o técnico tem como objetivo colocar a formação alvinegra no escalão principal da modalidade

Com uma vasta experiência como jogador como foi o seu percurso como sénior?
Tenho todo um percurso desportivo como atleta dos 12 aos 15 anos, tendo passado por diversas equipas tanto da 1.ª como da 2.ª Divisão, mas foi na Associação Atlética de Águas Santa, ainda como júnior, que tive o meu primeiro capítulo como sénior. Coincidiu logo com o título nacional da 2.ª Divisão. Foi extraordinário. No entanto, foi no Sporting da Horta, que na altura tinha boas equipas, que me senti jogador profissional de andebol.

E quando é que dá o passo para treinador?
Ainda era jogador. Além de ser da área de Educação Física, sempre tive muito gosto por tudo o que diz respeito ao trabalho de treinador. A parte física, mental, estratégia de jogo e sistema defensivo foi sempre algo que me deu imenso prazer. Aliás, a minha tese de licenciatura foi precisamente um trabalho sobre a resistência. Já aí ia ao pormenor do treino e foi aí que comecei a sentir a apetência para treinar.
O normal seria com 35 anos custar-me imenso deixar de jogar, mas isso não aconteceu porque tinha este bichinho, e só não deixei mais cedo porque as pessoas pediam-me para jogar. A minha paixão é mesmo o treino e tudo o que diga respeito ao jogo. Perco muitas horas na análise e no estudo constante para tentar ser o melhor possível.

Qual foi, até ao momento, o ponto mais alto como treinador?
Foi orientar uma equipa na 1.ª Divisão, mas mais do que isso foi sentir o reconhecimento, por parte dos meus colegas, pelo excelente trabalho que foi realizado. Sem dúvida que, para mim, isso foi um dos pontos altos e que alimentou ainda mais o meu gosto por esta modalidade e pelo papel de treinador.

E como é que chega à Sanjoanense?
Por um convite do diretor, que me apresentou o projeto e a ambição que tinham, e que me deixou bastante lisonjeado. É certo que tive outras propostas de 1.ª Divisão, mas já tinha dado a minha palavra à Sanjoanense e estou aqui com todo o gosto. Agora temos muito trabalho pela frente.

Que tipo de trabalho?
Reestruturar a formação tendo sempre como espelho os seniores. O nosso objetivo é que todos os atletas da Sanjoanense tenham um prazer imenso em viver os seniores e que tenham como foco chegar lá um dia. Para isso é necessário realizar um trabalho enorme. Por enquanto é preciso enaltecer tudo o que tem sido feito na formação, na captação de melhores treinadores, bem como a melhoria de condições de trabalho que têm sido dadas aos atletas. Acho que o retorno vai ser imenso.

Sente alguma responsabilidade acrescida pelo facto de dar continuidade ao trabalho de três anos de Nuno Baptista, que na época passada esteve perto de conseguir a subida?
Não. Sei quais são as minhas capacidades e o melhor reconhecimento que posso ter é dos atletas. Sei que sou muito exigente, mas também sabem reconhecer a competência, e nisso tenho plena consciência das minhas capacidades. É óbvio que estamos dependentes de outros fatores, e temos noção de que as equipas estão mais fortes, e é por isso que temos de trabalhar muito mais. No início do ano alertei os atletas de que o campeonato estava muito diferente, com as equipas mais fortes, e hoje reconhecem isso.

E a secção preparou-se para isso?
Tem vindo a preparar-se. Estamos a trabalhar durante mais tempo e mais vezes. Até os atletas têm sentido que o trabalho tem sido bastante exigente, porque não vai ser uma época fácil.

Como exigente que reconhece que é, acha que tem conseguido impor o que pretende para a equipa?
Isso vai depender sempre da minha capacidade de transmitir as minhas ideias e da dos atletas em absorverem a informação. Sinto que os jogadores têm imensa qualidade, muita capacidade e, sobretudo, um carater, um comprometimento e uma atitude extraordinária. Sinto que os atletas estão comprometidos com o projeto, mas é claro que tudo depende de muitos fatores, como os resultados.

Como foi a preparação para a nova época desportiva?
Foi exigente. Inicialmente andámos à procura da melhor forma para nos encaixamos com o nível de cap acidade dos atletas. Trabalhamos muito bem e os jogadores foram absorvendo a informação necessária, mas tentamos encontrar sempre o melhor enquadramento de acordo com as características dos jogadores. Acho que agora encontrámos a fórmula vencedora.

E como é que foi o início da época?
Começámos com uma derrota no jogo com o Estarreja. Foi uma partida onde falhamos no planeamento. Tenho 26 anos de andebol e nunca tinha estado num jogo de andebol assim. O primeiro encontro é sempre mais difícil porque há uma ansiedade natural.
Depois tivemos mais duas derrotas. Uma com o Simaria, em Leiria, em que falhamos seis ou sete livres de 7 metros, e depois aqui com a JuveLis. Mas este foi um jogo que perdemos bem. Apesar de tudo os jogadores responderam da melhor forma quando jogamos com o Marienses e até quase ao final estivemos a ganhar por 10 golos. Foram enormes e deram a resposta que queríamos e demonstraram a nossa ambição. Isso foi o ponto de partida para as exibições que fizemos até agora.

Cumpridas 10 jornadas com seis vitórias, a época está a correr dentro das expetativas?
Podia estar a correr melhor. O primeiro jogo iria ser aqui em casa, mas pediram-nos para mudar e a jornada foi invertida. Não tenho dúvidas que foi uma falha da nossa parte e se tivesse sido em S. João da Madeira acredito que tínhamos vencido. Já no encontro com o Sismaria em condições normais teríamos ganhado o jogo. Uma equipa que falha seis ou sete livres de 7 metros arrisca-se claramente a perder.
Ainda assim, de todas as equipas da Zona Centro, temos um dos melhores ataques e defesa do campeonato. Para se chegar a um objetivo temos de ir experimentando para encontra a fórmula ideal e acho que já a encontrámos.
Contudo, inicialmente deparamo-nos com muitas lesões, como aconteceu com o capitão Ricardo Pinho, que é o nosso maior exemplo ao nível de atitude, carater e compromisso, demonstrando aos colegas que os 35 anos não o impedem de ter tanta ou mais ambição que os mais novos.

Para esta época a direção da secção aposta na subida de divisão. Partilha da mesma ambição?
Obviamente que partilho a ambição de lá chegarmos, mas não temos as mesmas armas de outras equipas. Temos adversário muito mais bem apetrechados do que a Sanjoanense. Não o digo por solidariedade com a direção, mas por comunhão dos objetivos e é por isso que vou atrás do sonho que as pessoas têm em lá chegar. Todos têm noção que este ano é muito mais difícil, pois esta época há equipas a pagarem ordenados que nem nos clubes de 1.ª Divisão se vê.

Então, face a todas essas dificuldades, acha que é possível alcançar a subida de divisão já esta temporada?
A meta que deve ser definida é o trabalho diário dos atletas. Mas antes de se poder pensar numa possível subida de divisão é necessário falar primeiro numa ida à fase final, que vai ser muito difícil para todos e para a qual vão estar todas as equipas a lutar até à última jornada.

A equipa tem agora uma série de jogos em casa. Acha que isso pode ser importante para a Sanjoanense se distanciar dos adversários mais diretos?
Não tenho a menor dúvida que perdemos em casa com a JuveLis mas temos toda a capacidade para ir lá vencer. Muitas vezes sentimos o fator casa por estarmos mais próximos dos adeptos, mas o que às vezes pode ser um fator de motivação noutras pode ser de pressão ou desconcentração.
É obvio que preferimos jogar em casa do que fora, mas o que queremos é vencer os jogos.

Referiu inicialmente que veio para a Sanjoanense por ter assumido o compromisso, recusando um convite de uma equipa da 1.ª Divisão. Já se arrependeu dessa decisão?
Nunca. Quando começo um projeto é para o levar até ao fim. Desde o início que houve esta empatia e ligação. Acho que é muito mais aliciante e apaixonante um projeto que pretende colocar o clube num nível diferente. É obvio que todos querem estar no patamar mais alto a nível pessoal, mas o facto de não estarmos na 1.ª Divisão não significa que estamos abaixo.
Reconheço que dá muito mais trabalho, porque temos muitas coisas para construir, mas é algo que a mim me dá muito prazer.
O mais importante é que o projeto seja credível e ambicioso, como este.

Gostava de vir a treinar a Sanjoanense na 1.ª Divisão?
Essa é uma pergunta fácil de responder. É obvio que sim, e isso seria o culminar de um objetivo definido por um grupo de pessoas.

Dizia à pouco que formação deve ser o espelho os seniores. Acha que é importante uma ligação estreita entre a equipa principal e os escalões jovens?
Tenho sempre a preocupação de saber como trabalham os treinadores. Sinto-me responsável, enquanto formador, contribuir e ajudar para que o clube seja melhor.
Ajudo os treinadores na formação e colaboro com eles ao nível de treino e dou o meu feedback do que eu acho que é o processo de treino e a forma como se deve treinar. Alguns deles são meus atletas nos seniores e é um orgulho ver replicado, sobretudo na forma como trabalham com os miúdos, aquilo que eu faço. Isso é muito gratificante e demonstra que trabalho bem os meus atletas e que gostam de todo o processo de treino e sentem que é bem feito.

Que imagem gostaria de deixar na Sanjoanense?
Adorava ficar ligado à cultura de um clube. Se isso acontecesse comigo aqui seria fantástico, mas do pouco tempo em que estou cá acho que já consegui deixar a minha marca.

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