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António Reis tem tido um percurso de sucesso na pesca desportiva, que culminou, no final de maio, com a conquista do título nacional da 1.ª Divisão, resultado que lhe garantiu também a presença no Campeonato do Mundo de Nações, que vai decorrer na África do Sul, de 4 a 11 de novembro.
Os primeiros passos na vertente de competição foram dados em 2013, no Grupo de Pescadores de Sepins, mas em 2015 António Reis aceitava um convite do Clube de Campismo e desde então representa a equipa de S. João da Madeira

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“Para quem está há tão pouco tempo na 1.ª Divisão o título nunca é um objetivo”

FOTO: Direitos Reservados
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António Reis tem tido um percurso de sucesso na pesca desportiva, que culminou, no final de maio, com a conquista do título nacional da 1.ª Divisão, resultado que lhe garantiu também a presença no Campeonato do Mundo de Nações, que vai decorrer na África do Sul, de 4 a 11 de novembro.
Os primeiros passos na vertente de competição foram dados em 2013, no Grupo de Pescadores de Sepins, mas em 2015 António Reis aceitava um convite do Clube de Campismo e desde então representa a equipa de S. João da Madeira

Há quanto tempo está ligado à pesca desportiva?
Comecei a competir em 2013 no Grupo de Pescadores de Sepins, um clube de Cantanhede, através do Messias Oliveira, um amigo que já fazia pesca de competição.

E como descreveria o seu percurso na modalidade ao longo dos anos?
Comecei em 2013 a competir no Regional da Associação das Beiras e acabei o campeonato em terceiro lugar, subindo, assim, à 3.ª Divisão Nacional Zona Norte. Nesse mesmo ano fui chamado pelo treinador do Sepins para fazer parte da equipa no Campeonato de Clubes da 1.ª Divisão Nacional, onde nos sagramos vice-campeões e garantimos o acesso ao Campeonato do Mundo de Clubes, que se realizou em Espanha. Em 2014 sagrei-me vice-campeão nacional da 3.ª Divisão Nacional Zona Norte, conseguindo, assim, a subida ao escalão seguinte. Nesse mesmo ano disputei o Mundial de Clubes onde obtivemos o terceiro lugar. Foi um dia muito marcante para mim.
Em 2015, já no Clube de Campismo, competi no Campeonato Nacional da 2.ª Divisão, onde consegui ficar entre os 12 primeiros lugares, que davam acesso ao escalão principal da modalidade. Disputei também o Campeonato de Clubes da 2.ª Divisão Nacional com a equipa a terminar na quarta posição, ficando a muito pouco da subida.
Já em 2016, pela primeira vez na 1.ª Divisão Nacional, comecei mal o campeonato já que ao fim de três provas estava na 23.ª posição em 24 pescadores em competição. Precisava de três grandes provas para me manter nos 12 primeiros lugares que garantiam a manutenção. Isso acabou por acontecer e terminei no oitavo lugar a apenas dois pontos dos lugares de acesso ao Mundial. Nesse mesmo ano, no Campeonato de Clubes da 2.ª Divisão Zona Norte tivemos uma prestação muito irregular e acabamos por descer de divisão. Foi uma das piores fases para mim na pesca de competição.
Este ano sagrei-me campeão nacional da 1.ª Divisão, garantindo a presença no Campeonato do Mundo de Nações, que vai decorrer na África do Sul, de 4 a 11 de novembro.
Olhando para tudo isso, acho que tem sido um percurso muito positivo, mas todos os dias aprendemos sempre mais alguma coisa. E a presença na 1.ª Divisão tem sido muito boa nesse sentido porque tem pescadores conceituados e com muitos anos de competição.

Têm sido, então, anos de crescimento.
Sim, a evolução tem sido muito positiva. Mas também reconheço que no início tive a sorte de estar numa equipa com atletas conceituados na modalidade e com vários anos de competição, alguns dos quais com presenças em Mundiais, que contribuíram bastante para o meu desenvolvimento.

Que balanço faz desta época?
O balanço é positivo. Acho que não podia ter sido melhor

Este ano alcançou o primeiro título nacional da 1.ª Divisão. Era um objetivo?
Para quem está há tão pouco tempo na 1.ª Divisão o título nunca é um objetivo. No escalão máximo da modalidade o objetivo que se tenta traçar logo de início é a manutenção. Aqui tanto se pode ser campeão, ser apurado para a Seleção Nacional como descer de divisão. Basta correr mal duas provas e não conseguimos recuperar nas seguintes que a descida de divisão é uma realidade.

Foi, então, de olhos postos na manutenção com que entrou no campeonato?
Pensa-se sempre na manutenção, mas acabámos sempre por querer mais e ao começar bem o campeonato pensa-se logo em fazer melhor.

Então o título acabou por ser uma surpresa?
Pode-se dizer que acabou por ser uma surpresa. Mas com o decorrer do campeonato e ao encontrar-me numa boa posição e de ver que era possível ser campeão fui à luta.

Com tão pouco tempo de competição, esperava que o título no escalão máximo pudesse chegar tão cedo?
Desde 2013 que o meu percurso na pesca desportiva tem sido de crescimento e já tinha pescado ao nível de clubes na 1.ª Divisão. Sabia que havia pescadores muito bons, mas estava confiante que era possível ser campeão e que tinha grandes hipóteses.

E qual é o segredo para este crescimento ao longo dos anos?
Pescar, treinar muito e saber ler o mar. Como sou da Praia de Mira e vivo perto do mar vou à pesca com frequência e acabo por testar novas técnicas e aperfeiçoar a “iscagem”.

Com o título nacional garantiu também a presença no Campeonato do Mundo de Nações. Tem algum objetivo em particular para essa competição internacional?
Qualquer pescador que representa o país tem sempre como objetivo tentar o melhor para a Seleção Nacional. Mas no Mundial podemos medalhar tanto ao nível individual como coletivo. E se por equipa vamos trabalhar para conseguir o melhor para a seleção, individualmente vou tentar chegar aos lugares de pódio.

Quais os objetivos que se seguem, depois deste título nacional?
A meta agora passa pela manutenção na 1.ª Divisão Nacional o máximo de tempo possível e chegar aos lugares de seleção, os seis primeiros, que são sempre os mais procurados. Todos os pescadores de competição têm como meta máxima chegar à 1.ª Divisão, que já não é um feito nada fácil. É com esse objetivo que vou entrar na nova época.

Está ligado à pesca desportiva desde 2013. Desde então qual foi o momento que mais o marcou na modalidade?
Foi o título de campeão nacional da 1.ª Divisão alcançado este ano e a presença no Campeonato do Mundo de Nações, onde vou tentar fazer história tanto ao nível de seleção como individual. A pesca de competição é das modalidades que mais títulos dá ao país. Temos vários títulos mundiais individuais, por clubes e de seleções. Vou, juntamente com os meus colegas de equipa e treinador, tentar fazer o melhor para Portugal.

O que é que o apaixona tanto na pesca de competição, quando há a vertente lúdica?
A pesca lúdica faz-se sempre e aproveitamos para apanhar alguns peixes para comer, mas a competição é aquela coisa, é difícil de explicar. Calhamos num setor e num pesqueiro por sorteio e ao lado temos outros pescadores e há aquela motivação de tentar pescar mais do que o adversário. Acho que a pesca de competição é isso e o convívio que se cria entre todos os pescadores. É um ambiente diferente.

Quais são as principais dificuldades com que se depara para poder praticar a modalidade?
Como trabalho por turnos a principal dificuldade tem a ver com a marcação de provas. Tenho de tentar conjugar os meus horários com as competições.

Começou no Grupo de Pescadores de Sepins, mas desde 2015 que representa o Clube de Campismo. Como é que chega à equipa de S. João da Madeira?
No Sepins tínhamos uma boa equipa, mas era um clube com poucas posses. As presenças em provas individuais eram suportadas pelos próprios pescadores. No Regional e na 3.ª Divisão Zona Norte as competições eram relativamente perto da minha zona de residência, mas quando se pesca numa 2.ª Divisão Nacional o cenário é bem diferente, pois os custos com estadias, deslocações e material é mais elevado. Na altura falei com o presidente do Sepins e manifestei a minha vontade de desistir da pesca de competição porque não tinha grandes possibilidades para continuar sem ajudas. Fizeram sempre promessas, mas nada mudou. Entretanto, o Moisés Augusto, do Clube de Campismo, teve conhecimento que estava para deixar a modalidade por não ter posses para competir ao mais alto nível, ligou-me e fez-me o convite. Acabei por terminar a época no Sepins e em 2015 ingressei no Campismo.

E como descreveria esta relação com o Clube de Campismo?
Tem sido do melhor, desde atletas, passando pelo treinador, até ao responsável pela secção de pesca. Tudo o que me prometeram tem sido cumprido, até mais do que isso. O clube nunca falhou com nada. Posso dizer que já tive convites para sair, mas não aceitei. Continuo e continuarei no Clube de Campismo.

Sendo esta uma modalidade pouco divulgada, acha que tem o devido reconhecimento e apoio tanto dos clubes como do próprio governo?
Não me posso pronunciar relativamente aos apoios do governo porque ando nisto há relativamente pouco tempo e também não estou a par da situação. No que diz respeito aos clubes só posso comentar baseado no qual represento.
Esta é uma modalidade que para se conseguir resultados é preciso ter boas condições e o Clube de Campismo de S. João da Madeira é um dos melhores do país nesse aspeto. O presidente da secção, Ernesto Costa, é o grande obreiro e há muito anos que luta por este clube. O mesmo acontece com o mister Moisés Augusto, que dá muito do seu tempo para que corra sempre tudo pelo melhor. Sem eles à frente não era possível alcançar as vitórias que a secção tem conseguido.
Para se competir ao mais alto nível é necessário estar equipado com material de boa qualidade e também aqui conto com a ajuda da prestigiada marca Cormoura.

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