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Pedro Alves é o grande mentor da Iron Legs Academy, associação que adotou a alcunha pela qual o fundador era conhecido no ginásio onde treinava. Criada há cerca de três anos, há pouco mais de um a coletividade apostou em instalações próprias e específicas para as modalidades de Kickboxing, Muay Tai e Aero Kickboxing e o crescimento foi imediato, com o número de atletas a aumentar de forma significativa

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“Ao construirmos isto perceberam que não estávamos aqui para brincar”

FOTO: Direitos Reservados
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Pedro Alves é o grande mentor da Iron Legs Academy, associação que adotou a alcunha pela qual o fundador era conhecido no ginásio onde treinava. Criada há cerca de três anos, há pouco mais de um a coletividade apostou em instalações próprias e específicas para as modalidades de Kickboxing, Muay Tai e Aero Kickboxing e o crescimento foi imediato, com o número de atletas a aumentar de forma significativa

Como é que surge a Iron Legs?
Surge de uma necessidade de criarmos um clube para podermos fazer competição. Como treinador já tinha tido outras experiências e tinha atletas que estavam comigo. Também a Fátima, a minha esposa, tinha atletas com ela na área do fitness e Aero Kickboxing e contava com alguns títulos. Com tudo isso surgiu a necessidade de arranjarmos um espaço com as condições necessárias, um nome, uma identidade e uma imagem para começarmos a praticar as modalidades que mais gostámos que são o Kickboxing, o Muay Tai e o Aero Kickboxing.

E de onde surge o nome Iron Legs?
O nome é inglês e em português significa pernas de ferro, que era o meu apelido no CuryGim, o ginásio onde treinava com o Paulo Santos. Começou com uma brincadeira dos filhos dele que achavam que batia muito forte com as pernas, que eram demolidoras, e começaram a dizer que tinha pernas de ferro. O nome foi-se espalhando pelo ginásio e pelos meus alunos, mas num combate nunca usei esse nome, era sempre chamado de Pedro Alves.
Quando decidimos criar o clube, chegamos à conclusão que teria de ser esse o nome.

E quando é que foi criada oficialmente a Iron Legs?
A associação foi fundada há cerca de três anos, mas o espaço onde estamos agora tem cerca de um ano e três meses.

E ao longo destes quase três anos como descreve a evolução da Iron Legs?
Temos evoluído bastante, mas no último ano o crescimento foi exponencial e isso deveu-se ao facto de termos apostado em instalações próprias e com melhores condições para a prática da modalidade.
Passamos a ter uma casa própria e criou-se um ambiente de amizade e de rotina diária que promoveu bastante esse crescimento. O alargamento das faixas etárias também foi um fator decisivo para o sucesso que estamos a ter agora e vai trazer coisas muito positivas no futuro.

Como assim?
Antes tínhamos uma faixa etária média muito superior à que temos agora, que era uma situação que me preocupava um bocado. Por um lado, era bom porque tínhamos um ambiente sério nos treinos, mas as carreiras dos atletas esgotavam-se muito rapidamente. Havia outros clubes que tinham crianças e adolescentes a praticar, que permite um percurso mais duradouro na modalidade e isso não acontecia connosco. Acho que tinha a ver com as características do outro espaço, que era muito frio e mais escondido e não nos dava grande margem para divulgação.
Agora é totalmente diferente e praticamente não precisamos fazer qualquer tipo de divulgação. As pessoas que andam cá passam a palavra e, neste momento, temos atletas dos 4 aos 40 anos e uma média de idade que deve rondar os 18 anos.
Isso obriga-nos a pôr, um bocado, o travão para que o ambiente seja sério e mais competitivo, mas, por outro lado, os atletas vão ter uma carreira muito mais longa e permite estabelecer objetivos completamente diferentes a quem ainda está em idade de formação.
Exemplo disso foi o segundo lugar alcançado no Campeonato Regional e pelo segundo ano consecutivo. Isso é reflexo da nossa qualidade e do crescimento em termos de equipa, algo que em anos anteriores era impensável. É resultado de todo o trabalho que temos aqui.

Hoje a Iron Legs tem instalações próprias, mas os primeiros passos foram dados no Clube de Campismo. Foi isso que vos fez pensar que necessitavam de um espaço vosso e que se identificasse com a vossa filosofia?
As coisas vão evoluindo e com o tempo começamos a construir na nossa cabeça o que é o espaço ideal para podermos treinar, desde as dimensões aos equipamentos. No Clube de Campismo, apesar de termos sido sempre muito bem tratados, o espaço era mais frio, muito grande para a nossa modalidade e a localização não promovia a associação.
Hoje, com a facilidade de acesso à informação, com é o caso da internet, as pessoas sabem bem o que é um espaço preparado para a prática de uma modalidade e, se calhar, no Clube de Campismo não lhes parecia isso. Agora, com um espaço próprio preparado e dedicado, as pessoas estão mais recetivas, e cabe-nos a nós agarrar essa oportunidade quando vêm experimentar.
Ao construirmos isto perceberam que não estávamos aqui para brincar, mas porque gostamos da modalidade e acreditamos no trabalho que fazemos. Neste momento, quando se entra nas nossas instalações, apesar de ainda não estar como pretendemos, sente-se as modalidades que praticamos.

Antes o Pedro já tinha lançado o Power Fit, um projeto que também assentava no Kickboxing. Isso serviu, de alguma forma, de base para a Iron Legs?
Serviu de ensaio e foi aí que me apercebi que tinha algumas qualidades como treinador. Uma coisa é ser atletas outra é conseguir passar a mensagem e foi aí que percebi que poderia ter essa capacidade e que até gostava desse papel. Hoje olho para trás e sinto que estou muito mais bem preparado, pois o treinador está em formação e evolução constante. Quem achar que já sabe tudo e que não precisa de fazer mais nada está errado. Nós aprendemos com cada atleta e praticante que temos cá.
Não tenho complexos em admitir que procuro contacto com muitos treinadores de referência que temos em Portugal. Há sempre alguém que é melhor do que nós. Só assim é que conseguimos evoluir. Interessa-me uma evolução contante e nas provas isso compensa.

Tem sido essa a filosofia pela qual se tem regido ao longo dos anos ligado á modalidade?
Tem. Desde o primeiro treinador, o Américo Ferraz, que foi quem me apresentou à modalidade quando comecei em Cesar, até ao Paulo Santos, que foi com quem trabalhei a minha carreira de competição e que me lançou ao nível profissional, que aprendi bastante com eles. Acho que é esse o segredo. Quem ambiciona ser treinador tem de aproveitar todos os bocados com as pessoas que têm possibilidade de partilhar algo. Quando trabalhei com a Seleção havia atletas que diziam que o selecionador não percebia nada e, se calhar, haviam certas coisas com as quais não concordava e que na nossa casa o trabalho era mais bem feito, mas havia sempre algo que eu podia reter.
Quando comecei a dar aulas estava formatado pela minha personalidade e ideia de ver as coisas, mas também pelas experiências que fui tendo ao longo dos anos.

Com a época sensivelmente a meio, que balanço faz, até ao momento, da temporada?
Neste momento o balanço é ótimo. Recentemente realizou-se o Campeonato Regional, que é a primeira grande prova do ano, e ficamos em segundo lugar por equipas. Individualmente tivemos excelentes prestações com atletas desta nova fornada que a Iron Legs está a fabricar. Devo confessar que fiquei bastante contente com um elemento, o Rúben Santos, que começou a treinar connosco há cerca de um ano e que foi 100 por cento eficaz na prova. Nunca tinha jogado, mas depois de falar com ele para perceber a sua abertura e de se mostrar motivado, acabou por se sagrar campeão regional. Mas para mim, mais importante do que isso, foi o combate que realizou na meia final, com um atleta da Dinamite Team, que foi o melhor do campeonato. É para isso que trabalhamos.

E quais é que são as expetativas para a restante temporada?
O objetivo principal é ter campeões nacionais na próxima prova e promover, cada vez mais, os nossos jovens.
Ao nível internacional já estamos aptos para disputar provas, mas ainda é prematuro pensarmos em títulos. No entanto, estamos com uma faixa etária muito jovem que nos vai permitir começar a pensar nesses objetivos daqui a pouco tempo.

Com o crescimento que se tem vindo a registar, onde é que gostaria de ver a Iron Legs a médio/longo prazo?
Tenho como objetivo, e acredito que vai ser conseguido, ver a cidade de S. João da Madeira muito associada ao Kickboxing, tal como acontece no setor do calçado, onde é uma referência. Já não estamos muito longe disso. Queremos fazer com que a cidade seja quase uma capital da modalidade, mas para isso temos de ter uma equipa forte, numerosa, com qualidade e capacidade de organizar provas de relevo e com dimensão.

Depois do I Torneio de Kickboxing, realizado no passado dia 11, a Iron Legs centra agora atenções no Showtime, agendado para 8 de julho, evento que se começa a afirmar como de referência.
É, sem dúvida, o ponto alto da época para a Iron legs e é muito importante para nós.
Trata-se de uma gala à americana, com luzes e fumo, capaz de manter entretido mesmo quem não aprecia a modalidade.
É uma iniciativa fundamental para nós porque traz muita gente de fora a S. João da Madeira, divulga a qualidade da modalidade e, para o público do Kickboxing, coloca a cidade e a Iron Legs no mapa.
Dá trabalho e não dá lucro, mas dá muita dignidade.

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