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A equipa sénior de basquetebol da Sanjoanense alcançou os objetivos na época de estreia na Proliga, conseguindo a manutenção na segunda competição mais importante da modalidade. Augusto Araújo, treinador da equipa, garante que sempre acreditou, mas confessa que foram muitas as preocupações ao longo de uma temporada marcada por algumas contrariedades que complicaram o trabalho do grupo.
Com a época concluída e a meta alcançada, Augusto Araújo confessa estar numa fase de reflexão para ver onde pode ser útil à modalidade, mas garante que o seu futuro não passa pela equipa sénior da Sanjoanense

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“Nunca tive dúvidas, mas as preocupações foram sempre muitas”

FOTO: Nuno S. Ferreira
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A equipa sénior de basquetebol da Sanjoanense alcançou os objetivos na época de estreia na Proliga, conseguindo a manutenção na segunda competição mais importante da modalidade. Augusto Araújo, treinador da equipa, garante que sempre acreditou, mas confessa que foram muitas as preocupações ao longo de uma temporada marcada por algumas contrariedades que complicaram o trabalho do grupo.
Com a época concluída e a meta alcançada, Augusto Araújo confessa estar numa fase de reflexão para ver onde pode ser útil à modalidade, mas garante que o seu futuro não passa pela equipa sénior da Sanjoanense

Labor: Que balanço faz desta última época para a equipa sénior, que, pela primeira vez, competiu na Proliga?
Augusto Araújo: Não foi uma tarefa fácil competir nesta divisão. Encontramos jogadores muito bons e equipas mais experientes do que a nossa, e, por isso, a nossa missão tornava-se difícil. E a primeira volta da primeira fase, em que conseguimos apenas duas vitórias em sete jogos demonstra isso. Mas julgo que a partir dessa altura a equipa foi sempre capaz de dar um passo em frente em termos táticos e emocionais e ganhar a experiência necessária para competir nesta divisão. Acho que conseguimos isso e as cinco vitórias nos últimos sete jogos do campeonato foram deveras importantes para conseguirmos a manutenção, que foi muito positiva para o clube, porque desde o primeiro dia assumiu isso como objetivo.

Conseguir a manutenção no ano de estreia, num campeonato onde a Sanjoanense marcou presença pela primeira vez, pode ser visto com um marco histórico?
Não diria tanto, mas foi muito importante para o clube. E conseguimos isso mesmo com vários condicionalismos ao longo da época, quer compromissos académicos ou profissionais dos atletas, ou mesmo a lesão de um jogador que seria muito importante para a equipa. Tivemos mesmo a necessidade, a determinada altura, de ir buscar um estrangeiro que viesse colmatar a ausência, por lesão, do Mário Gonçalves.
Julgo que todos, desde a equipa passando pela direção, fizeram o possível para que os objetivos fossem cumpridos.

Numa época marcada por várias contrariedades e depois de um início menos positivo, foi fácil motivar os atletas para a segunda fase do campeonato, que era decisiva para os objetivos da equipa?
Quando iniciamos a temporada, e feitas todas as contratações para a época e formada a equipa, a determinada altura pensamos, nessa fase inicial, que podíamos chegar mais alto, mas a vida nem sempre corre como queremos. O Mário Gonçalves, um jogador extremamente influente, teve uma lesão grave à quarta jornada que o obrigou a uma paragem de quatro meses. O facto de ser o jogador mais alto que defenderia os adversários com a mesma estatura e de poder dominar, em conjunto com os colegas de equipa, a nossa tabela defensivamente, a sua ausência debilitou a equipa. Foi por isso que a determinada altura da época tivemos uma serie de derrotas consecutivas porque não alcançávamos o objetivo que pretendíamos que era dominar a nossa tabela. Isse fez com que a direção optasse por trazer um estrangeiro para colmatar a vaga do Mário Gonçalves.

Foi a lesão do Mário Gonçalves que condicionou a época da Sanjoanense?
Estou convencido que se não fosse a lesão do Mário e que se o atleta tivesse começado a preparação da época mais cedo e estivesse em boas condições tínhamos equipa para lutar com qualquer adversário. O equilíbrio era a nota dominante na fase Norte e nós tínhamos condições para vencer qualquer equipa, e acabamos por alcançar seis vitórias. Acredito que se não fosse isso faríamos mais de seis vitórias e teríamos disputado o Grupo A. Aí lutávamos para os quatro primeiros lugares do campeonato.
Como tivemos esse contratempo, a juntar à falta de experiência da equipa neste campeonato, não tivemos hipótese de ombrear com os nossos adversários.

Isso fez com que a determinada altura a direção contratasse o sueco Elias Desport. O reforço colmatou as lacunas nas tabelas?
Sim. O Elias veio, de alguma forma, dar-nos a altura, o poder físico e de choque para lutar contra os adversários mais altos. Apesar de ser ainda um atleta muito jovem e de ter poucas rotinas de jogo, a partir de determinada altura foi um reforço fundamental no desempenho da equipa. Aí começamos a ganhar a luta nas tabelas.

Então com o reforço, e mais tarde com o regresso do Mário Gonçalves, a Sanjoanense terminou o campeonato no seu melhor nível.
O Mário nunca veio em condições. Esteve quatro meses parado e quando regressou faltava-lhe toda a preparação física. No entanto, na última partida em casa realizou um jogo muito bom.
Estou convicto que se o atleta estivesse a cem por cento e não houvesse nenhum problema com ele ou os colegas, teríamos lutado pelos primeiros lugares do Grupo A.

Com todas as contrariedades com que se depara ao longo da época, é fácil, como treinador, gerir a pressão da equipa quando há objetivos, como os vossos, definidos?
Não é fácil treinar nem gerir uma equipa como esta, que é composta por jogadores amadores, que têm muitos afazeres profissionais e académicos. São muitos os condicionalismos e a qualquer altura estamos sujeitos a que um jogador não possa dar o seu contributo à equipa.
Foi uma época difícil e com muitas preocupações, mas sempre cheios de ilusão.

Depois de uma série de derrotas consecutivas no início da segunda fase do campeonato a Sanjoanense conseguiu regressar às vitórias. Qual foi o ponto de viragem?
A Proliga é muito equilibrada. Qualquer uma das equipas podia ganhar à outra. É verdade que na segunda fase tivemos um mau início, mas ao conseguimos a nossa primeira vitória, que foi em casa contra o Belenenses, uma equipa fortíssima, chegamos a uma conclusão que já devíamos ter chegado. Somos capazes de vencer qualquer equipa. Para além disso, foi também uma altura em que o nosso estrangeiro percebeu que era necessário dar um passo em frente, em que tinha que ser mais decisivo, não só nos ressaltos, que já ganhava, mas também na marcação de pontos. A partir daí houve um clique que nos atirou mais para a frente.
O segundo jogo com o Sangalhos, com quem havíamos perdido na primeira volta, também foi importante. Foi uma partida muito equilibrada e que acabamos por vencer por dois pontos, que fez com que entrássemos na última volta do campeonato com a ideia de que podíamos conseguir os nossos objetivos, bem como a cada vez maior experiência dos jogadores e a uma afirmação maior do Elias.

Houve algum momento, ao longo da época, em que tenha duvidado que a manutenção estivesse em risco?
Nunca. Senti muitas preocupações, mas nunca duvidei. Conhecendo esta equipa como conhecia sabia que muitos deles, nos momentos mais competitivos e mais difíceis, eram capazes de dar sempre um passo em frente. Também sabia que o nosso estrangeiro, o Elias, teria de dar um passo em frente, como veio a acontecer. A mudança de país, os novos treinos e colegas limitaram-no numa fase inicial e isso afetou o seu desempenho. Mas com o decorrer da época foi-se integrando melhor nas rotinas do nosso jogo e acabou por ser muito importante para a equipa.
Nunca tive dúvidas, mas as preocupações foram sempre muitas. Fomos uma equipa sempre cheia de ilusão que conseguia alcançar os seus objetivos.

E foi uma época de ilusão ou, de alguma forma, de alguma desilusão?
Foi uma época de ilusão. Como esta foi a nossa primeira época na Proliga vemos as coisas de forma diferente. Este campeonato era uma novidade para nós e entramos com essa ilusão, que não era desmedida, mas muito bem pensada.
A manutenção era o objetivo definido para a equipa, mas as expetativas do treinador, e possivelmente de alguns jogadores, era de que seria possível alcançar mais qualquer coisa.

Com os objetivos alcançados e um ano de experiência na Proliga, acha que a Sanjoanense tem condições para começar a ambicionar mais?
Julgo que é difícil. Acho que neste momento esta é a divisão própria para a Sanjoanense. Pensar mais acima é hipotecar a secção em termos financeiros e mais abaixo é matar o basquetebol sénior do clube. Esta é a divisão certa e, mesmo assim, é difícil porque os jogadores olham, cada vez menos, ao amor à camisola. Todos eles, por muito pouco que seja, querem sempre alguma coisa para competir a este nível.
Se a secção de basquetebol for capaz de cativar estes jogadores para a próxima época, com mais um ou outro reforço que possa conseguir, acho que a equipa tem condições para fazer uma temporada mais tranquila do que esta.

Num ano de aprendizagem para o basquetebol da Sanjoanense com a presença na Proliga, que diferenças encontra na equipa relativamente ao início da época?
Vejo uma equipa mais experiente e jogadores que foram capazes de dar um salto em frente, tornando-se melhores devido à competitividade que tiveram de enfrentar e ao grande equilíbrio entre todas as equipas. Um atleta só evolui se tem um adversário tão bom ou melhor do que ele. Vi jogadores a crescerem, como aconteceu com os nossos bases, porque foram submetidos, durante muitos jogos, a uma competitividade extrema.
Acho que aí tenho de realçar os nossos bases, porque foram aqueles que conseguiram dar um salto muito grande e que podem fazer parte do futuro desta equipa.

Com a época terminada, qual o seu futuro na Sanjoanense?
Esta foi uma época muito difícil e de muito desgaste físico e emocional e, como tal, já tenho como certa a opção de não continuar nesta equipa. Isto não quer dizer que vou deixar o basquetebol. Sou um homem do basquetebol. Vivi toda a minha vida no meio do basquetebol e esta é a paixão desportiva da minha vida. Foi aqui que fiz a minhas melhores amizades e onde vivi momentos felizes e de reais emoções.
Não vou deixar o basquetebol, mas neste momento estou numa fase de descanso e de reflexão para ver onde posso ser útil à modalidade. Sei que é na Sanjoanense, e num lugar onde me sinta bem.

E esse lugar não é nos seniores?
Não é nos seniores. Não quero sofrer mais. Acho que já não tenho idade para isso.

E não vai ter saudades da equipa e do tipo de jogo?
Claro que vou. Sei que em alguns jogos me vou roer todo por não estar lá dentro, mas às vezes temos de saber dizer chega.
No entanto, se me dessem todos os jogadores da equipa, e possivelmente mais um, e me garantissem que raramente faltavam e que os treinos teriam, no mínimo, 10 atletas, ia ao fim do mundo com a equipa e na próxima época lutava pelos primeiros quatro lugares da Proliga.
Se tivesse 40 anos tinha a força, a raiva e intensidade para esta com quem quer que seja, mas tenho quase 60 e isso faz-me ser mais ponderado e, neste momento, tenho é de me sentir confortável.

É um homem do basquetebol com uma vasta experiência não só ao nível sénior mas também na formação. Como descreveria o seu percurso, nas duas últimas épocas, à frente da equipa principal da Sanjoanense?
Feliz, mas sempre com preocupações. Na primeira época fomos completamente superiores a quase todos os adversários e, do meu ponto de vista, só não estivemos bem no último jogo da meia final, que decididamente correu mal e mais parecia que não estávamos devidamente focados na partida.
De resto, a nossa subida de divisão não foi programada, mas foi uma ilusão que tivemos no primeiro dia da época e que acabou confirmada.
Esta temporada, apesar de tudo, foi feliz, mas sempre com grandes preocupações e com algum sofrimento por não conseguirmos superar alguns condicionalismos que afetaram sempre a nossa equipa ao longo da época.

Que marco deixa na Sanjoanense na época de estreia na Proliga?
Prezo muito a amizade de todos e sei que ainda nos vamos encontrar muitas vezes. Acho que esse é o bem essencial que fica. Tudo o resto é-me indiferente, pois já tenho uma idade que não me deixa pensar muito nessas coisas.

Chega ao final da época com o sentido de dever cumprido?
Sim, e acho que os jogadores também. Ainda há pouco tempo, numa conversa com atletas, um deles dizia algo do género: “Terminamos a época com o dever cumprido”. Olhei para ele e perguntei-lhe se era mesmo assim. Respondeu-me: “Mesmo cumprido, apesar de todas as dificuldades”.
Acho que no fundo é mesmo isso.

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