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Sessões mensais com acesso livre na Biblioteca Municipal

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Clube de leitra com “Aurora adormecida” de Eva Cruz

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Sessões mensais com acesso livre na Biblioteca Municipal

O Clube de Leitura analisou e discutiu a obra “Aurora adormecida” da sanjoanense Eva Cruz, no dia 24 de maio, na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo.
A sessão mensal deste clube contou com a presença da escritora que “forneceu muita informação complementar acerca da obra e revelou muito sobre a investigação histórica que teve de realizar para a sua criação, apresentando documentos e algumas preciosidades fotográficas da época”, segundo o blog da Biblioteca Municipal. 
E quem é Aurora, a personagem principal do livro? A mãe de Eva Cruz que “dizia muitas vezes que a sua ´vida dava um romance´. E deu mesmo!”. Então “Aurora adormecida” é “uma biografia da mãe da autora e uma verdadeira homenagem ao amor entre mães, filhos e netos”, adiantou a mesma fonte.
Uma das prefaciadoras, Carmina Figueiredo, refere que "a autora abriu o baú, relicários de histórias e de vida e, com os mesmos fios com que tece um poema, urdiu uma bela história tão simples e tão comovente. É filha, também é mãe, sabe o que é o amor, a entrega e a dádiva, é escritora e tem um grande orgulho naquela sua mãe Aurora".
A obra, ao longo de 128 páginas, "terrivelmente bem escritas e aparentemente, simples,” conta a história de Aurora, onde “não faltam os artifícios técnicos e literários tais como diageses (narração com sequência cronológica), metadiegeses (inserção de narrativas secundárias dentro de uma narrativa principal), descrições e analepses (interrupção da narrativa cronológica para descrição de acontecimentos prévios), que nos revelam a mestria da autora”, revela a Biblioteca Municipal.
A escrita é "simples, fluída, intensa, por vezes ousada, assertiva, emotiva, terna, tão bela, interessante e envolvente que mais parece colocar-nos perante prosa poética”, considera a mesma fonte.  
As sessões do Clube de Leitura são mensais, por norma na última quinta-feira de cada mês, com acesso livre na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo.

“Uma biografia que pareceria banal é crónica inteligente e lúcida de toda uma época”

Terminando com uma apreciação da obra do Dr. Renato Figueiredo publicada no jornal labor nº 702, de 27.07.2006, com o título “Um livro, um poeta”.
“É rio de águas claras e tranquilas a passar mansamente, levando na corrente a nostalgia da nascente. É cântico de admiração, respeito e amor, tecido em estrofes de ternura, a carpir saudades que sente cedo virá a ter, o céu já toldado por nuvens de ausência real que a presença física não esconde. É esforço desesperado e inglório de fazer imortal alguém que se ama, mas que sabe ir em breve morar em outras madrugadas, só permanecendo na sua memória e no seu coração. 
Postos de lado preconceitos e frívolas conveniências sociais, decide, com ânimo e não menor coragem, contar uma história. Vai escolher palavras singelas e promete nada esconder ou amenizar, só a verdade ficará nas linhas que escrever.
A história é real, é uma biografia. Tão fácil e tão difícil! Tão fácil pela transparência da vida a descrever e pelos sorrisos que muitas passagens lhe trazem aos lábios, tão difícil pela exigência de ser imparcial e neutra na descrição, quando o sentir lhe pode deixar na sombra certos passos. Mas difícil, sobretudo, pelas lágrimas que terá de reprimir tantas vezes, para que a escrita não fique manchada de sofrimento.
Venturas e desventuras, dores e alegrias vão surgindo. Afinal, uma biografia que pareceria banal é crónica inteligente e lúcida de toda uma época, em que a pessoa biografa enfrenta problemas de vária índole, humanos, sociais, políticos e económicos, problemas que encara de frente, que questiona e resolve apenas com a seriedade inata, o bom senso e a justeza de quem se posiciona na vida tendo como lema obedecer somente à voz da sua consciência. 
A biografia é um terreno ingrato, dado que o biógrafo tem de ser totalmente isento e desapaixonado, para não atraiçoar, ainda que involuntariamente, a personalidade do biografado. 
Em ´Aurora Adormecida´, pois é deste livro que falo, a sua autora, a Dr.ª Eva Cruz, conseguiu, com excepcional mestria, ser biógrafa exemplar que nos revela, com rigor e sem subterfúgios ou meias verdades, o retrato de corpo inteiro da personalidade de sua mãe. Mas soube aliar, com raro engenho, a verdade ao amor filial, de que resultou magnífico e exaltante poema de homenagem, tecido de ternura, que é, por assim dizer, antecipado e comovido adeus a sua mãe. Ela, se tal fosse possível, exigiria, na hora da partida, juntar esse poema às recordações do mítico baú que a acompanhou em vida.”.

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