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Rui Sousa apresenta livro na terra que o viu nascer

FOTO: Direitos Reservados
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“‘Amêndoas Amargas’ é um livro dorido e meigo”. Rui Sousa definiu assim, ao labor, a sua terceira obra, apresentada na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, em S. João da Madeira.
No passado dia 19 de abril, o escritor, residente em Chaves, regressou à terra que o viu nascer para dar a conhecer o seu último livro, tendo tido direito a uma “casa cheia, graças a Deus e à família [dos Sousas do futebol] que acorreu em massa em meu auxílio”, como disse ao jornal.
Depois de “Viagens Submersas” e do conto "Beijos de Água Doce" na Antologia de contos de Natal “Mimos e Contos de Natal” - ambas publicações de 2007 -, o autor sanjoanense de gema escreveu este romance editado pela Mosaico de Palavras Editora e lançado em fevereiro deste ano, tendo, para isso, colocado “uma simples questão a mim próprio: como será perder um filho?”. “A partir daí o livro escreveu-se sem que o conseguisse evitar. Fala de dor e de esperança, coisa teimosa e perigosa que nos alimenta quando tudo parece perdido”, conforme referiu.
Abordando um problema que desde sempre foi difícil de perceber, por ser algo contra a corrente natural da vida - a morte de um filho -, “Amêndoas Amargas” toca o leitor pela expressividade emotiva. Retrata a luta sem tréguas de um casal para defender o direito da criança à alegria e à vida, sem se dar conta que com o definhar do filho também definhava a sua vida em comum. E enquanto Paulo se deixa afundar irremediavelmente, Ana defende-se apostando na sua carreira de sucesso… até ao dia em que concluem que é muito aquilo que os separa e nada o que os une.
“Amêndoas Amargas” é o segundo livro que Rui Sousa apresenta na “cidade do labor”, A apresentação do primeiro, “Viagens Submersas”, foi “para aí há 11 anos”.
Este seu regresso literário a S. João da Madeira surge na sequência de todo um trabalho levado a cabo pela editora e também do contacto entre as bibliotecas flaviense e sanjoanense.
A apresentação esteve a cargo de Vítor da Rocha, em representação da Mosaico de Palavras Editora, e da irmã de Rui Sousa, Joana Sousa. Além disso, contou com momentos musicais protagonizados pelo violinista Vladimir Olmchenko.

Novo projeto em curso

Escrevendo “nos intervalos do trabalho”, o professor, que chegou a jogar na Associação Desportiva Sanjoanense e na Associação Académica de Coimbra, referiu ao labor que não pode “dedicar o tempo que gostava à escrita”. No entanto, encontra-se já “a trabalhar noutro projeto, outro romance, que espero publicar quando estiver pronto”, mas “sem pressas”.

Escritor sanjoanense mora em Chaves há 20 anos

Depois de se apaixonar pela esposa, uma flaviense que conheceu em Coimbra, Rui Sousa foi para Chaves, onde mora há 20 anos. É por isso que, excetuando a família e os amigos, “as pessoas não têm memória de mim em S. João da Madeira”. “Quando passamos toda a nossa vida adulta fora da terra acontece esta coisa estranha. Conhecem-me por ser filho ou sobrinho de... E agora apareço eu, mais uma vez, a reivindicar um lugar enquanto escritor sanjoanense, uns poucos de anos depois”, revelou ao semanário.
Também ao labor, o docente confidenciou que “quando passo nas instalações da Associação Desportiva Sanjoanense recordo-me que foi ali que me fiz, enquanto homem e jogador de futebol”. Além disso, recordou que “foi na Escola  Primária dos Ribeiros, depois no Ciclo Preparatório, Escola Secundária Dr. Serafim Leite e, por último, na antiga Escola Industrial, cuja designação atual desconheço, que me preparei para ser professor e escritor. E foi no seio da minha família que aprendi a gostar de ler e escrever, porque não há escritor sem leitor”.
“Enfim, a vida dá muitas voltas e tem a magia de, aos poucos, ir colocando tudo e todos nos seus devidos lugares, alguns físicos, outros metafísicos”, rematou.

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