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“A censura ajudou a construir da melhor poesia cantada”

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“Os heróis do Rock”

FOTO: Direitos Reservados
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“A censura ajudou a construir da melhor poesia cantada”

O Serão Poético da 16.ª edição da Poesia à Mesa, promovida pela Câmara Municipal de S. João da Madeira, aconteceu, uma vez mais, na Casa da Criatividade.
Os convidados Sérgio Castro (Trabalhadores do Comércio) e António Manuel Ribeiro (UHF) juntaram-se aos comissários do evento José Fanha e Paulo Condessa para conversar sobre poesia, música e história. Pelo meio declamaram poemas de Ary dos Santos, Manuel António Pina, Inês Rocha, António Couto, Mário Sá Carneiro, António Aleixo e tantos outros.
Uma das histórias da noite foi sobre o nascimento do Rock and Roll em Portugal. De acordo com José Fanha, “o rock apareceu em dois lugares ao mesmo tempo: em Almada/Margem Sul e no Porto”. E naquela precisa noite de serão estavam Sérgio Castro e António Manuel Ribeiro, dois “heróis do rock”, descreveu José Fanha.
O primeiro é músico, compositor, produtor discográfico e engenheiro de som durante mais de 30 anos que entre os anos de 1973 e 1985 foi membro fundador ou integrou grupos musicais como Rocka, Psico, Arte & Ofício, Trabalhadores do Comércio e Stick. O segundo inscreveu-se no curso de arquitetura, mas a poesia, a literatura e os originais que ia escrevendo levaram a melhor. A banda UHF é formada em 1978 e a sua caminhada pela música rock continua até então. A escrita e a rádio são duas das suas paixões.
Os UHF começaram por tocar para “amigos e amigos próximos”, recordou António Manuel Ribeiro, sobre a sua banda que comemora este ano 40 anos.
O ambiente era “um bocado underground, éramos mal vistos, fazíamos muito barulho e andávamos de garagem em garagem”, acrescentou o vocalista dos UHF. Quando começaram a banda em 1978, “ainda estávamos a fazer a aprendizagem do que era a liberdade e a dignidade”, afirmou António Manuel Ribeiro. Além do mais, a música portuguesa estava associada a determinados instrumentos como a viola portuguesa, o adufe...de repente a guitarra elétrica, a bateria. “O rock começou com os UHF” e em português, afirmo António Manuel Ribeiro.
Já Sérgio Castro começou a cantar em Inglês e a tocar no final dos anos 60. “Ouvíamos a rádio, víamos dois ou três programas com algum interesse e conhecíamos o que se fazia fora - Estados Unidos da América e Inglaterra - dentro do esquema do rock no mundo”, relembrou o músico.
Sérgio Castro e os restantes elementos da banda Arte & Ofício achavam que “a música rock tinha de ser cantada em inglês. Tínhamos a visão, a vontade e a ilusão de internacionalizar o mundo”. Os UHF já foram tentados, mas nunca cederam à tentação de cantar em inglês. “Apareceu uma vez, mas rapidamente desapareceu” essa “ilusão enorme de que os portugueses que cantam em inglês exportam mais música”, assumiu António Manuel Ribeiro. Um dos maiores exemplos que fundamentam a sua afirmação é o facto de Amália Rodrigues ter vendido um número impensável de discos para o Japão, onde certamente não entendiam nada do que ela cantava. Por isso, “o que é que vendia? O sentimento”, considerou o vocalista dos UHF.
A expressão da música ganhava forma numa altura em que tudo que era escrito, dito e cantado corria o risco de ser altamente censurado. Contudo, se há algo de positivo a retirar da ditadura instalada em Portugal foi a poesia. “A censura ajudou a construir da melhor poesia cantada. Nós temos do melhor da poesia, do melhor que se canta no mundo”, constatou António Manuel Ribeiro.

Sérgio Castro atuou no primeiro festival de bandas em S. João da Madeira

O primeiro festival de bandas comerciais de S. João da Madeira aconteceu em 1976 no Pavilhão dos Desportos. Um evento “algo inovador para a altura”, assegurou Sérgio Castro em exclusivo ao labor.
O festival tinha como cabeça de cartaz a banda Arte & Ofício e contou com pelo menos mais três bandas portuguesas.
Enquanto membro dos Arte & Ofício, “lembro-me de dizer: alguém vai estar lá a ouvir?”, recordou o músico. O certo é que quando chegaram “o pavilhão estava repleto de gente”. “Uma surpresa imprevisível para nós” numa altura em que “era impensável encher pavilhões”, confessou Sérgio Castro.

“Uma palavra ao Batista uma das almas da Poesia à Mesa”

O Serão Poético terminou com um dueto improvável entre Sérgio Castro e António Manuel Ribeiro. “Uma noite inesquecível” proporcionado pelo Serão Poético onde foi deixada “uma palavra ao Batista, Alberto Batista, uma das almas da Poesia à Mesa”, salientou José Fanha.

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