a informação essencial
Pub

Clube de Leitura comemorou 5.º aniversário

FOTO: Direitos Reservados
FOTO: Direitos Reservados
FOTO: Direitos Reservados
FOTO: Direitos Reservados
Partilha

O Clube de Leitura foi criado em outubro de 2012 pela Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo em S. João da Madeira.
Nos primeiros tempos “inscreveram-se 39 pessoas, mas ao longo do tempo o Clube tem registado uma participação média de 12”, deu a conhecer a Divisão de Cultura (DC) da Câmara Municipal (CM) de S. João da Madeira (SJM) ao labor.
As sessões do Clube de Leitura realizam-se sempre na última quinta-feira de cada mês ao longo de todo o ano, exceto em agosto.
Por norma, a escolha dos livros que são lidos cabe aos elementos do Clube de Leitura. Contudo, a escolha também pode ser feita em conjunto por todos os elementos do grupo com base em variadíssimos critérios.
As sessões são centradas em torno “da obra escolhida que é lida por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante”, explicou a DC.
De volta aos critérios de escolha das obras, “não há uma regra específica e as escolhas têm abrangido diversas formas de expressão literária. Já se leram livros de ficção científica, romance, romance histórico, poesia, etc.”, esclareceu a DC, considerando que “a seleção tem sido muito cuidada, tem tido bons resultados, conseguindo manter interessados os participantes, pois as obras selecionadas obedecem a critério de grande qualidade”.
Uma das obras destacadas foi precisamente “O homem duplicado” de José Saramago pelo facto de ter coincidido na altura com a adaptação desse livro por Denis Villeneuve, um realizador canadiano, no cinema. “A sessão acabou por se realizar numa Sala de Cinema onde o filme estava a ser projetado”, revelou a mesma fonte ao labor.
O Clube de Leitura também recebeu em tempos os próprios autores dos livros que estavam a ler na Biblioteca Municipal sanjoanense.
“Inicialmente as sessões públicas que tinham lugar na Biblioteca com os escritores para a publicitação das suas obras foram aproveitadas pelo clube para nelas se realizar as suas sessões”, recordou a DV, tendo isso acontecido com escritores como Mário Zambujal, Raquel Ochoa, Domingos Amaral e Nuno Camarneiro.
Como “a presença do escritor criava, por vezes, algum constrangimento que impedia um debate mais livre sobre a obra”, os elementos do Clube de Leitura decidiram “então, fazer as sessões num ambiente mais intimista que até chegou a contar com a presença de alguns autores como Afonso Cruz, Pedro Guilherme Moreira e Ana Paula Oliveira (escritora residente na cidade e elemento do grupo)”, constatou a DC.
Após cinco anos de Clube de Leitura, o balanço de toda esta caminhada pelo “mundo das letras” é “muito positivo”. A reter a leitura de “58 obras de autores portugueses e estrangeiros”, sobressaindo “desses encontros um espírito de partilha de opiniões sobre os livros e autores, uma crescente abertura para a tolerância e o imenso prazer na leitura”, concluiu a DC da CM sanjoanense ao labor.
O 5.º aniversário do Clube de Leitura foi assinalado com a elaboração de um marcador de livro com um texto de Ana Paula Oliveira. 

“Ninguém se inibe de dar a sua opinião, com medo de ser criticado”

Após conhecer a história do Clube de Leitura, o nosso jornal decidiu conhecer e dar a conhecer alguns dos elementos deste grupo sanjoanense.
A começar por Graça Serra que entrou em novembro de 2013 para o Clube de Leitura, lembrando a sua estreia neste espaço com a obra "Debaixo de algum céu", de Nuno Camarneiro. 
Enquanto professora de francês e português aposentada, acabou por ser incentivada por outras ex-colegas de profissão que faziam e ainda fazem parte do Clube de Leitura.  “Como gosto de ler e sempre estive ligada à literatura, achei que era uma boa maneira de ocupar o tempo livre”, declarou Graça Serra ao labor.
A escolha das obras tem “recaído essencialmente sobre autores portugueses, mas já foram lidos autores da literatura americana, inglesa, francesa, espanhola, italiana, angolana, brasileira, colombiana, argentina, sul africana e russa”, adiantou. As sessões são “bastante informais. Acho que há um ambiente descontraído e que ninguém se inibe de dar a sua opinião, com medo de ser criticado”, revelou Graça Serra, acrescentando que “há alturas em que, por uma razão ou por outra, alguém não consegue ler a obra na sua totalidade, acho que já nos aconteceu a todos, mas isso não é motivo para deixar de ir”.
Após cada sessão “sai-se sempre com uma visão mais completa do que aquela com que se entrou. O clube é bastante heterogéneo, há pessoas de diferentes idades e de áreas variadas. Quanto a mim, tem um senão: os membros são quase todos do sexo feminino. Às vezes faz falta uma visão masculina. De vez em quando aparece um homem, mas acho que se assusta ao ver tanta mulher e não aparece mais. Nas últimas três sessões tivemos a presença do Dr. Magalhães dos Santos, que tem resistido valentemente e ainda não fugiu. Espero que se mantenha entre nós e que outros homens sigam o seu exemplo”, confidenciou a antiga professora ao labor. 
Uma das características de Graça Serra é o gosto pela investigação de todos os pormenores dos livros. “Quando descubro algo que acho interessante, gosto de partilhar com os outros elementos”, assumiu ao labor.
O Clube de Leitura “do ponto de vista cultural é uma mais-valia para a cidade e que a biblioteca tem tido um papel importante nestes cinco anos de existência. Para mim este clube funciona quase como uma família. Sinto-me lá muito bem, no meio de pessoas com um gosto comum pela literatura”, confessou Graça Serra. 
O balanço de participação neste grupo é “muito positivo, porque tem sido uma atividade muito enriquecedora, que me tem permitido alargar os meus conhecimentos literários. Há obras que eu nunca leria certamente se não andasse lá. Posso dizer que gostei mais de umas que de outras, mas nunca saí de lá com a sensação de tempo perdido. Tem sido uma experiência muito gratificante”, concluiu a antiga professora ao labor. 

“Mais importante do que analisar as obras, é trocar experiências de leitura”

O elemento mais novo do Clube de Leitura é Ana Ferreira, de 37 anos, advogada e natural de S. João da Madeira.
A entrada neste grupo aconteceu em março de 2015 depois de ter ouvido falar do clube durante a apresentação de um livro na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo.
Todo o tempo passado no Clube de Leitura é “muito positivo” em que “o mesmo livro é lido e interpretado pelos membros que atravessam diferentes fases da vida”. Um momento de troca de “experiências diferentes” em relação ao mesmo livro e, ao mesmo tempo, de puro “convívio”, considerou Ana Ferreira ao labor.
O que acontece no Clube de Leitura é “muito enriquecedor. Dá muitas vezes perspetivas de determinadas obras que se tivesse lido sozinha não teria e ficaria só com a minha interpretação”, explicou a advogada, partilhando que “por vezes não tenho tempo de ler a obra, mas vou para ver através das reações se vale a pena ler”.
A leitura faz parte do seu quotidiano desde que aprendeu a ler. “Não posso dizer que leia sempre, mas sempre posso à semana e ao fim de semana. Um dos meus hobbies favoritos”, confessou Ana Ferreira ao labor.
A professora e escritora Ana Paula Oliveira integra o Clube de Leitura desde a sua fundação em outubro de 2012. “Como gosto muito de ler e gosto de ter com quem conversar sobre os livros lidos, aderi imediatamente”, contou Ana Paula Oliveira.
As sessões são “dinâmicas, muito participadas. Por vezes acaloradas, por vezes choradas. Umas vezes despertam gargalhadas, outras vezes despertam profundas reflexões, de acordo com os temas dos livros lidos”, descreveu a escritora ao labor.
O Clube de Leitura é “um espaço de convívio saudável, de partilha, de afetos”, considerou Ana Paula Oliveira. Neste espaço, “mais importante do que analisar as obras, é trocar experiências de leitura. A mesma obra, lida por pessoas com vivências diferentes, dá análises diferentes, naturalmente. E isto é que tem mantido o clube vivo. Mais do que análise literária (que também se faz!), o mais importante é analisar sensações e sentimentos que o livro despertou em cada leitor. E é, também, muito gratificante termos a possibilidade de conviver, o que já aconteceu várias vezes, com os autores do livro”, destacou a escritora. Ana Paula Oliveira considera o Clube de Leitura um projeto “muito positivo, por isso me mantenho há cinco anos. É saudável, refrescante, enriquecedor, faz bem à mente e ao espírito”.
Por sua vez, Irene Guimarães, professora e vereadora da Câmara Municipal de S. João da Madeira, juntou-se em abril deste ano ao Clube de Leitura, tornando-se assim no elemento mais recente.
A entrada terá sido motivada pela “curiosidade, interesse pela temática, gosto pela leitura e, ainda, a possibilidade de conhecer, pessoalmente, um projeto local, do mundo das letras, do qual já tinha ouvido falar”, disse Irene Guimarães ao labor.
As sessões são “dinâmicas, participadas e participativas, envolventes, divertidas, até” e dão a “possibilidade de colocar, no mesmo tempo e espaço, diferentes personalidades amantes dos livros que, de forma despretensiosa e livre, manifestam e partilham opiniões sobre experiências de leitura, possibilitando a descoberta de obras, de géneros literários, de autores e de temáticas”, revelou. O balanço de participação no Clube de Leitura é “muito positivo”, concluiu Irene Guimarães ao labor.

Comentários

Pub

Notícias relacionadas