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Crinabel desenvolve “laboratório de teatro” na CERCI

FOTO: Abílio Pinho
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Fruto de uma parceria com a câmara municipal, o coletivo Crinabel Teatro, de Lisboa, desenvolveu na semana passada “um laboratório de teatro” na CERCI de S. João da Madeira - Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas.
Falamos de uma ação com duração de aproximadamente dois dias que, enquadrando-se num projeto financiado da congénere Crinabel, se dirigiu aos 15 clientes/atores que fazem parte do grupo de teatro Recriarte e aos quatro colaboradores afetos a este projeto da CERCI sanjoanense.
Sob orientação do encenador da Crinabel, Marco Paiva, esta formação “resultou no treino e aquisição de capacidades e conceitos fundamentais para que o Recriarte possa prosseguir num caminho de crescente maturidade”, conforme referiu em exclusivo ao labor Mariana Amorim, acrescentando que “os colaboradores da CERCI, enquanto parte fundamental deste processo de aprendizagem, puderam assistir a todo o processo de ensaio e montagem de um espetáculo da Crinabel, que foi apresentado ao público em geral na sexta-feira nos Paços da Cultura” (ver caixa).

Recriarte tem dois anos e conta com 15 atores

Já lá vão dois anos desde que o Recriarte foi formado. A sua constituição, segundo a psicóloga da CERCI local, “ocorreu quando uma participação embrionária no Festival de Teatro de S. João da Madeira [FTSJM] em 2015 demonstrou o valor e a capacidade dos clientes para este tipo de trabalho e tornou saliente que este poderia e deveria ser um projeto anual na nossa instituição”. Isto, “não só pelo resultado artístico, mas também pelos evidentes benefícios em termos de desenvolvimento pessoal e social que este tipo de trabalho nos permite desenvolver”.
Seguiram-se as apresentações nas edições de 2016 e 2017 do FTSJM, já enquanto Recriarte, “sempre muito bem acolhidas pelos próprios clientes que ensaiam com entusiasmo e estão sempre na expetativa da próxima apresentação, pelos pais dos clientes envolvidos, mas também pelo público em geral”.
Para Mariana Amorim, “o bom acolhimento dos nossos espetáculos e a vontade dos clientes constituem uma forte motivação para alcançarmos metas continuamente superiores”, sendo precisamente neste contexto que “surge a procura de oportunidades de formação que permitam enriquecer o trabalho já desenvolvido e incrementar a sua qualidade”, como foi o caso desta última.
De acordo com a responsável, o Crinabel Teatro “perfilou-se desde logo como um ótimo parceiro nesta meta porque contam já com 31 anos de trabalho e um evidente caminho pioneiro, de sucesso, já percorrido na afirmação da arte performativa enquanto possibilidade de vida para a pessoa com deficiência intelectual, tendo, além de no teatro, já inúmeras participações no cinema e na televisão, bem como projetos já realizados internacionalmente”.
 
“Alcançar mais público” é objetivo

Questionada sobre o futuro, Mariana Amorim adiantou ao nosso jornal que “o Recriarte trabalha já na construção da próximo trabalho, com o orgulho de assistir a cada um dos seus atores a apresentarem este projeto como um projeto seu e tomado com identidade (e.g., ‘Eu sou a Paula e sou atriz no Recriarte’)”. “As metas futuras - prosseguiu em declarações ao labor - passam por conseguir alcançar mais público, não apenas familiares e amigos, mas público em geral que mais do que assistir à capacidade para lá das limitações de cada um dos atores do Recriarte, acompanhe os nossos espetáculos pelo valor do trabalho apresentado”.
Na sua ótica, “esta é sempre uma oportunidade para cada um refletir sobre as suas possibilidades de superação”, mas há “a expetativa que esta não seja a tónica dominante”. Aliás, “esperamos antes que o público assista sobretudo à concretização do que é um projeto artístico que vale para além da diferença dos seus artistas, mas fundamentalmente pela paixão que cada um dos envolvidos tem já pela construção de história em palco”.

“Guia prático para artistas ocupados” supera expetativas

Segundo a psicóloga Mariana Amorim, a apresentação da peça “Guia Prático para artistas ocupados” em S. João da Madeira “superou as expetativas” da organização “atendendo aos outros eventos que aconteceram em simultâneo na cidade na mesma data” (dia 29 de setembro). Inspirado em A Play of Selves da fotógrafa Cindy Sherman, este “guia de criação” surge de um desafio lançado pela BoCA – Biennial of Contemporary Arts, a que responderam o Crinabel Teatro e a Casa da Música.
Com ambiente sonoro do Digitópia Collective, vídeo de Edgar Pêra e interpretação do Crinabel Teatro, consta num exercício prático e multidisciplinar, partilhado com o público. Neste conto visual, constituído por uma série de 72 encenações fotográficas que a artista cria em torno de uma jovem perseguida por vários alter-egos que lutam dentro dela, os criadores, juntamente com mais de uma dezena de intérpretes, desafiam a fronteira entre a ficção e a realidade, tentando encontrar, entre o universo criativo de Cindy Sherman e o deles uma possibilidade de alterar formas e conteúdos paradigmáticos, colocando em causa os sentidos absolutos.

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