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Curador da exposição “Limiar da Vida” da Coleção Norlinda e José Lima

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À conversa com Pedro Lapa

FOTO: Diana Familiar
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Curador da exposição “Limiar da Vida” da Coleção Norlinda e José Lima

Como surgiu o convite para ser o curador?
O convite veio da possibilidade de concretizar uma ideia que flutuava há muitos anos em 1998. Fiz uma investigação grande sobre o artista Joaquim Rodrigo. Como o José Lima tinha obras desse artista, vim aqui vê-las. Na ocasião, apresentou-me outras obras da coleção que me impressionaram seriamente. O tempo foi passando e recentemente o José Lima convidou-me para comissariar uma exposição dele. Tinha conhecimento que a coleção estava depositada na Oliva e aceitei com muito grado porque era a possibilidade de concretizar uma ideia antiga.

Como descreveria a exposição?
É uma exposição feita sobre uma coleção. Quando se faz uma exposição sobre uma coleção, há que perceber a coleção por um lado, sentidos da coleção, ser impressionado pela coleção e numa coleção o que nos impressiona nunca é tudo. São algumas coisas mais do que outras.
E depois há aquela ideia que nós temos do que é a arte. Não é? Um dos aspetos que me impressionaram nesta coleção desde que comecei a estudá-la, agora atentamente, foi a sua amplitude. É uma coleção muito vasta que não se limita a reunir uma obra de cada artista, mas a aprofundar o percurso de cada artista. E, ao mesmo tempo, é extremamente abrangente. Essa abrangência é notória, inclusivamente na construção da coleção. É uma coleção que se estende infinitamente para lá dos seus limites. Daí essa própria relação da arte com a vida. No fundo, a arte é também uma contínua construção que procura amplificar nas relações com a própria vida. A partir desta ideia comum, tentei organizar a exposição. Achei que a coleção era tão ampla que podia dar diferentes perspetivas da relação que a arte estabelece com a própria vida.

É a primeira vez que está cá por motivos profissionais. Qual a sua opinião sobre o Núcleo de Arte da Oliva?
Um espaço absolutamente impressionante. Não há muitos assim no país. Um espaço industrial muito bem reconvertido para estas funções. A ideia de construir uma área dedicada à Arte Contemporânea, aproveitando esta fantástica coleção, acho que é uma ideia fantástica. O espaço é um espaço digno de grandes espaços europeus e internacionais. É de facto muito gratificante poder trabalhar aqui.


Pedro Lapa na primeira pessoa
 

Pedro Lapa é professor auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É doutorado em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 
Foi diretor artístico do Museu Coleção Berardo entre 2011 e 2017 e diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado entre 1998 e 2009. Foi também curador da Ellipse Foundation e professor convidado da Escola das Artes da Universidade Católica de Lisboa. 
É autor de muitas publicações no domínio da arte moderna e contemporânea e comissário de muitas exposições em todo o mundo. Inclusive, em 2001 foi o curador da representação portuguesa à Bienal de Veneza.
Pedro Lapa Foi coautor do primeiro catálogo raisonné realizado em Portugal dedicado à obra de Joaquim Rodrigo. O Grémio Literário atribuiu-lhe o Grande Prémio de 2008 e o Ministro da Cultura de França, Frédéric Mitterrand, concedeu-lhe a distinção de Chevalier de l`Ordre des Arts et des Lettres, em 2010. 

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