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Comerciantes queixam-se de não terem sido “ouvidos nem achados” sobre a melhor altura para o início da remoção do “pirilau”

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Obra feita “em cima do joelho”

FOTO: Diana Familiar
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Comerciantes queixam-se de não terem sido “ouvidos nem achados” sobre a melhor altura para o início da remoção do “pirilau”

Já há muito que este desfecho da história do Elemento Arquitetónico era falado e aguardado ansiosamente por numerosos sanjoanenses, mas a verdade é que a notícia, adiantada pelos órgãos de comunicação social e através de circular entregue em mãos a moradores e comerciantes na semana passada, acabou por apanhar a população de surpresa.
O labor saiu à rua e foi ouvir alguns dos que se dizem não só surpreendidos, mas também descontentes com o arranque repentino da demolição do “pirilau”. Manuel Figueira, da confeitaria Colmeia, não está contra a remoção do monumento que há anos existe em frente ao seu estabelecimento.
Conforme disse, o problema está antes no “timimg” que escolheram para arrancar com obra”. “Devia começar no fim do verão”, defendeu, acrescentando que a câmara errou “em não ter reunido com os comerciantes antes”. “Não fomos ouvidos nem achados (…). Fizeram tudo em cima do joelho”, completou.
Alinhando pelo mesmo diapasão, também falou Manuel Alves, da confeitaria Concha Doce. Segundo afirmou, “devia ir abaixo, deviam fazer as obras, mas não é agora”. “Agora vamos dar pó e porcaria aos clientes”, além de uma vista para uma espécie de “praça de toiros, com tudo tapado”.
Embora com um espaço comercial diferente destes seus dois “vizinhos”, Alzira Fontes é de opinião que “este [próximo] mês é para esquecer”. “O verão está feito”, afirmou a responsável pela loja de roupa Gilmoda, considerando que “isto não se faz aos cafés com esplanadas” nem aos outros comerciantes da Praça Luís Ribeiro, porque “a confusão vai afugentar os clientes”.
Não muito longe dali, o nosso jornal interpelou Armando Pereira. Também para o proprietário da Armando Florista “não é a melhor altura”, porque “as obras vão afugentar as pessoas”, em particular os emigrantes que estão de regresso à terra.
Mesmo ao lado, Fátima Félix, da Tabacaria Rainha de Copas, mostrou-se a favor da demolição. Quanto ao “timimg”, “não é o mais adequado” se se tiver em conta que “vamos ter eventos até setembro”, no âmbito da iniciativa Verão de S. João. No entanto, “as obras vão ter que se fazer e vão. Por isso, não valerá de muito as pessoas queixarem-se. Até porque se não for pó, agora no verão, vão ter de levar com lama no inverno”, acrescentou esta sanjoanense que, curiosamente, foi informada primeiro pela comunicação social e só depois recebeu a circular.
Junto ao “pirilau”, a nossa reportagem também falou com José da Silva Lopes. Para este sexagenário que já viveu em S. João da Madeira mas que agora reside em Carregosa, “não é isto que vai resolver a desertificação da praça”. Sendo igualmente de opinião que esta “não é a melhor altura para se arrancar com os trabalhos”, José da Silva Lopes defendeu o “regresso do trânsito à praça” como forma de reanimar o comércio de rua, que está praticamente “morto”.
Contrariando as vozes de descontentamento, surgiu Angelo Pádua, da Foto Mimi. De acordo com este empresário, “a demolição já vem tarde”. “Vou ter prejuízo, mas não interessa. Quanto mais depressa melhor”, reforçou a ideia, lamentando de seguida: “Só é pena o Parque América não ir abaixo também”
Há cerca de 30 anos à frente de um negócio que já era do seu pai, Angelo Pádua “já testemunhou tantas obras na praça, ao ponto de estar habituado a ter prejuízo”. Agora, “quero é ver mais movimento, porque temos uma praça para pessoas sem pessoas”, referiu.

“Não estão reunidas condições favoráveis para avançar com qualquer tipo de obra”

Segundo Manuel Neves, membro da Assembleia Municipal (AM) de S. João da Madeira eleito pelo Movimento Independente SJM Sempre, “existem grandes dúvidas sobre como é que esta obra irá avançar apenas com um anteprojeto”.
Em email remetido ao labor, o deputado municipal questiona “por que razão é que a menos três meses de um novo presidente da câmara ser eleito e, depois de muito recentemente se ter verificado uma intervenção profunda na Praça Luís Ribeiro e sua envolvente, este executivo pretende levar para a frente esta obra e vai avançar já para esta demolição sem se conhecer o projeto final?”.
Em relação ao “timing escolhido, verifica-se falta de simpatia com a iniciativa Verão de S. João que está programada para o período de 7 de julho a 9 de setembro, justamente na Praça Luís Ribeiro”, prossegue Manuel Neves, para quem “o senhor presidente da câmara, além de não ter feito obras que não estivessem começadas, quer deixar a sua marca com a destruição e ir de férias, como se isto fosse de gente séria que assumiu compromissos sérios com os sanjoanenses”.  
“Porque entendemos que existem dúvidas no direito de voto na AM sobre a aprovação de fundos provenientes da contratação de empréstimos bancários para utilização nesta obra e também defendemos a necessidade de uma maior discussão sobre os trabalhos de  reabilitação e revitalização para, de uma vez por todas, traçarmos um novo rumo para o centro da cidade, não estão reunidas condições favoráveis para avançar com qualquer tipo de obra”, avisa o elemento afeto ao “SJM Sempre”, que, não convencido, solicitou esclarecimentos à Ordem dos Arquitetos acerca deste assunto, tal como o nosso semanário noticiou oportunamente.
O PAN solicitou uma reunião ao presidente da câmara Ricardo Figueiredo depois de ter acompanhado a demolição do vulgo “Pirilau”.
A reunião realiza-se no dia 1 de agosto, pelas 17h00, entre as partes.

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