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O alívio de Costa

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O resultado da votação sobre a despenalização da eutanásia, com respetivo chumbo, constituiu um claro alívio para António Costa e seu governo.
Caso fosse aprovado o diploma, a lei teria que “descer à especialidade” e aí, sim, a controvérsia iria estalar a sério nos mais diferentes setores da sociedade portuguesa. Iriam surgir contestações pouco recomendáveis a um ano e pouco de eleições legislativas. Aliás, António Costa nunca admitiu de forma clara o que pensa sobre este assunto como o fez F. Hollande de França ou Rui Rio.
O PCP, ao votar contra todos os quatro projetos lei, teve uma atitude igual à do CDS, o que é hilariante, pois, finalmente, temos um partido comunista elogiado de forma categórica pelo novo cardeal português D. António Marto.
O chumbo à despenalização da eutanásia não provocou particular tristeza aos partidos que a apresentaram, pois o assunto fraturante, como era, tornava incómoda a sua continuação face ao calendário eleitoral que se avizinha. Em boa verdade os representantes dos partidos perdedores até saíram do hemiciclo da Assembleia de cara alegre, dizendo que o assunto voltará daqui a uns anos, quem sabe.
Podemos pois esperar que a partir desta altura, e até às eleições, nada de substancial seja apresentado pelo PS parlamentar que cause incómodo ao Governo e possa conduzir polémica exagerada no seio da sociedade portuguesa.
Seria talvez como assistir a um jogo de futebol passado todo ele a meio campo, em que os jogadores (políticos) trocam a bola entre si e aguardam que o cronómetro passe depressa para o apito final, isto é, o dia de eleições. Só que os companheiros da “Geringonça” não vão deixar que assim aconteça.
Logo a seguir à lei da eutanásia, a CGTP promoveu uma bem sucedida greve nos comboios, afetando de Norte a Sul a mobilidade de milhares de portugueses
Não é o tipo de greve que se faz no Japão onde os comboios continuam no seu ativo mas sem cobrança de bilhetes aos utilizadores. Não é nada disso. É mesmo uma greve para fazer doer, em especial naqueles que precisam em absoluto dos comboios para ir trabalhar nas zonas urbanas e seus arredores.
Aliás, a CP tem sido alvo, ao longo de décadas, destas greves trimestrais, semestrais ou anuais, para desta forma se poder fragilizar ainda mais a precária rede ferroviária estadual e, dessa forma, haver argumentos mais do que sólidos para expandir a nossa rede de autoestradas. Essa sim é que é verdadeiramente penalizadora do cidadão, pois dessa forma o Estado consegue arrecadar mais impostos dos portugueses, com portagens, 60% do valor dos combustíveis, dupla tributação de impostos nos veículos.
E já agora vêm as greve dos professores, estivadores de Setúbal, enfermeiros, etc., etc..
Avizinha-se assim um segundo semestre de 2018 com convulsões e revindicações fortes, sempre setoriais, pois o Orçamento de 2019 terá de incluir as suas exigências, caso o PS aspire à sua aprovação.
E talvez sejam a grande “prova dos nove” do PS os tempos que se aproximam.
Ou veste, em definitivo, a camisola da esquerda, como alguns apregoam, ou faz algum recuo na sua atuação e busca das matrizes soaristas, rompendo com a “Geringonça” e provocando eleições antecipadas, apresentando-se no papel de vítima e obtendo assim uma maioria possível.
Porque afinal, nem o PC nem o BE vão aceitar algum namorisco do PS com o PSD, aqui e ali, neste projeto ou naquele.

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