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Eutanásia - “ Bom Morrer “

FOTO: Direitos Reservados
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Eutanásia vem da terminologia grega de há dois mil anos e significa o “ bom morrer” :
Isto configura na prática, pela qual se abrevia a vida de um enfermo incurável de maneira controlada e assistida por um especialista. Assim vem definida a eutanásia nos dicionários.
No entanto, existe uma subdivisão; a eutanásia activa que será planeada com o doente e que de certa maneira se pode considerar um suicídio assistido e ajudado por um terceiro quer seja médico , amigo ou mesmo familiar e que tenha conhecimento para o fazer . Aliás na Holanda a legalização da eutanásia activa começou precisamente com a ajuda de um médico perante a sua mãe em encontrar a sua morte sem mais sofrimento.
Por outro lado, existe a chamada eutanásia passiva. Esta não provoca deliberadamente morte mas com a interrupção de certos actos médicos o doente acaba por falecer.
Estou em crer que em Portugal se pratica, já em muitas situações, eutanásia passiva junto de doentes terminais com total concordância entre médicos, enfermeiros e mesmo familiares dos doentes terminais. Assim é caracterizado o nosso País em certos sites estrangeiros sobre este assunto . Por isso é de pasmar a posição pública da Ordem dos Médicos.
Este tipo de procedimento perante a fase terminal de uma vida humana é frequente em países como Espanha, França, Inglaterra, Noruega, Finlândia, Japão Coreia do Sul, etc. Encontram-se mesmo numa fase transitória para uma legalização da eutanásia activa.
Aonde a lei sobre esta matéria se encontra inócua e juridicamente contraditória face à realidade que os mesmos países vivem acaba por ser Portugal, Itália e Polónia. Facilmente se conclui por serem países nos quais a Igreja Católica exerce grande poder no aparelho político, social e corporativo. E exerce-o de um modo indelével quase imperceptível.
A eutanásia tem menor problemática do que a legalização do aborto há alguns anos a esta parte e mais uma vez se tenta politizar o caminho a seguir através de folclore partidário.
A eutanásia nada tem a haver com esquerda ou direita.
Aliás, a sua implementação abrange principalmente países anglo saxónicos e essencialmente Luteranos.
Trata-se de um direito único que o indivíduo tem enquanto vive, de ser dono do seu corpo, da sua dor, e o tempo em que quer finalizar com o seu sofrimento intolerável.
A sociedade aonde se insere não tem o direito de lhe impor um único valor espiritual, ou moral que seja a base para suportar essa condição humana. A sociedade não pode impedi-lo de querer morrer com o limite de dignidade e a sanidade que ele entende poder suportar. Deve, antes, ajudá-lo a concretizar esse objectivo caso reúna um conjunto de condições de forma eficiente e não burocrática (tão presente em nós) para que encontre o seu alívio final.
É precisamente por ser um ser “inviolável“, como diz a Constituição Portuguesa, que o indivíduo deve receber dessa mesma Constituição em que a palavra “liberdade “ tantas vezes repetida, o enquadramento social, legal e logístico que lhe permita pôr fim à sua doença incurável e sua dor insuportável e finalmente acabar com a sua degradação interior.
Somente tabus mentais ou corporativos ou negócios religiosos procuram travar uma evolução natural da espécie humana. E esse bloqueio será insignificante para aqueles que financeiramente podem exercer esse direito individual num qualquer país estrangeiro.
Mais uma vez a negação à regulamentação clara e evolutiva nesta matéria por parte de quem legisla, a Assembleia da República, afectará os mais pobres e os mais necessitados. Os que verdadeiramente não podem pagar somas consideráveis nos ditos países em que a lei da eutanásia se aplica.
Dizem alguns que a aposta deve ser dada antes em unidades de cuidados paliativos. Até parece ser sensato desde que essas mesmas instituições estejam realmente acessíveis e não sejam elitistas acabando por praticar a dita eutanásia passiva disfarçada e altamente lucrativa prolongando no tempo a sobrevivência dolorosamente confortável, de pacientes terminais.
Parafraseando Paulo Teixeira Pinto : “ O Homem tem é que ser responsável pelo que escolhe, incluindo aonde quando e como quer morrer “.
Porque decidir pelo “ bom morrer”, como lhe chamavam os Gregos, não é nada fácil tal como entender e aceitar a morte não o é.
Mas aceitem que alguns peçam para morrer com justificação evidente para tal.

Nota final : Este artigo foi escrito antes da votação sobre a legalização na Assembleia da República , a desenrolar-se no dia 29 de Maio de 2018 .

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