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BREXIT: O DRAMA DE NÃO SABER COMO SAIR

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Desde o dia do Referendo realizado no Reino Unido e da consequente decisão de saída deste país da União Europeia, todos tentam saber como se processará essa saída. A Europa foi sempre construída como uma comunidade de adesões e nunca de cisões. Houve sucessivos alargamentos e, até agora, nenhuma saída. Daí ser normal a expectativa criada. Embora os Tratados prevejam – desde logo, no Art. 50º do Tratado da União Europeia - a saída de estados, essa nunca foi verdadeiramente concretizada nos seus termos.
Vem este artigo, e a inerente reflexão, a propósito de uma recente participação que tive, em Londres, numa mesa redonda sobre a relação entre o Reino Unido e a Europa no pós-Brexit. Fui motivado pela expectativa de saber como estava o processo e qual a perspectiva britânica para essa relação futura. Confesso que já ia com algumas reservas, justificadas pelos desencontros das negociações do processo de saída. Mas, mesmo considerando as reservas, a desilusão foi total. Pior. Maior que a desilusão é a preocupação que fica. Tendo dialogado com Deputados da Câmara dos Comuns, Deputados Europeus e Membros da Câmara dos Lordes, constatei um total desnorte e apreensão. Para além de serem desfavoráveis ao Brexit, estes responsáveis não têm soluções para como lidar com o processo. No entanto, não pondo em causa o resultado do referendo e as suas consequências, veem a saída do Reino Unido como irreversível. Vão sair, mas não sabem como.
Este desnorte é sintomático do que acontece aos regimes quando se deixam capturar pelos populismos. A campanha a favor do Brexit foi dominada pela exploração populista de problemas quotidianos dos britânicos. Sem qualquer desenvolvimento de caminhos alternativos. Os britânicos votaram contra uma Europa que elegeram como culpada dos seus problemas, sem terem a garantia de conseguir resolvê-los saindo. Em política pode ser mais fácil ser contra, mas isso nunca é suficiente. Difícil é trabalhar e construir soluções. No caso do Brexit é isso que se pede aos políticos britânicos e europeus.
Deixo aqui apenas algumas questões: Como se vai processar a circulação de pessoas e bens entre a União Europeia e o Reino Unido? Como vai o Reino Unido substituir as políticas agrícola e de pescas comuns, mantendo o apoio aos seus agricultores e pescadores? Como se vai resolver a questão da fronteira entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte? Como vai a Europa garantir um orçamento comum suficiente sem o contributo do Reino Unido?
São muitas questões em aberto para os próximos meses. A capacidade de lhes dar resposta efectiva é uma oportunidade de fazer triunfar uma solução institucional. É assim que se podem combater os populismos. Mostrando que a construção de soluções é mais importante que os apelos demagógicos para caminhos sem saída.

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