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Imprensa local/labor, 30 anos

FOTO: Direitos Reservados
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Os jornais locais, como o labor, revestem-se da maior importância para a cultura de um povo. Parece exagerado dizê-lo, mas é realmente verdade! Apesar da televisão e dos telemóveis terem vindo a ganhar espaço e atenção das pessoas, o “jornal local “ que consiga ter notícias que digam respeito às populações têm o seu objectivo alcançado.
Não é fácil o percurso que um “jornal da terra” tem ao longo dos anos, pois, muitas das vezes, foi criado de início com enorme entusiasmo e ingenuidade, mas posteriormente será preciso vencer muitas contrariedades financeiras, humanas e mesmo incompreensões políticas. Como em tudo na vida, o mais difícil é manter um jornal, assim já o reconheceu o diretor do labor, Pedro Silva, na sua alusão aos 30 anos de vida do jornal na respetiva comemoração do mesmo.
Todo o “jornal local” deve, por tudo isso, procurar uma linha editorial única e independente, sempre com autocrítica constante nos seus conteúdos, e alheio a qualquer crítica de caráter partidária. Não é fácil, em especial em cidades pequenas em que todos se conhecem e muitos anseiam por querer ver as suas ambições pessoais espelhadas numa foto, numa entrevista, ou numa notícia.
Os mais novos não se lembrarão mas houve tempos que em S. João da Madeira os jornais locais foram instrumentos fortes para fazer frente política a líderes autárquicos. Refiro-me naturalmente ao caso d’ O Regional na luta contra o presidente de então, Manuel Cambra, em que este publicou durante anos, artigos anónimos ( algo impensável) a querer “denunciar” isto e aquilo.
Com o decorrer do tempo, esse tipo de jornalismo não veio a favorecer a credibilidade a que um jornal se deve reportar. O labor, nessa altura, soube equilibrar-se numa ténue corda bamba, e manteve uma postura de alguma isenção política.
Por conseguinte, a linha editorial de um jornal, não importa a sua dimensão, deve lutar pela escolha de temas variados, surpreendentes e aliciantes do público, para que as suas vendas cresçam e o jornal se torne mais consistente e maduro. E, claro está, evitar temas demasiado repetitivos, mesmo que pensemos que têm grande importância social que em boa verdade não têm.
O labor tem, por exemplo, publicado diferentes entrevistas com jovens emigrantes que, por razões várias, procuram vingar os seus projectos profissionais em países estrangeiros. É inovador e diferente de muitos outros jornais locais que resumem as suas manchetes às mesas de associações columbófilas ou de órgãos sociais das diferentes juntas de freguesia, que pouco interesse têm para o público em geral.
À semelhança dos jornais nacionais, o “jornal local“ ainda pode abordar temas nacionais, pois isso confere-lhe maior amplitude temática e possível aumento de leitores. A isenção e a neutralidade são valores a ter sempre presentes nos seus conteúdos, pois só assim se tornam jornais mais sérios nos os leitores se revêem.
Pelo meio, aparecem os denominados “artigos de opinião” que, a meu ver, devem ter o devido destaque, pois emprestam algum colorido e diversidade aos temas abordados pelos “ jornalistas residentes “ do jornal.
Muitos desses artigos de opinião são sobre assuntos vários, por vezes, muito precisos e que são importantes para o concelho.
Outros artigos de opinião traduzem resumos de histórias pessoais que nos revelam aspetos da vida, por vezes, parecidos com os nossos. Para quem as escreve dizem muito e, por vezes, os seus autores sentem que o público não as aprecia. Mas tal facto nunca o sabemos o quão importantes podem ter sido para quem leu essas histórias de vida. A invisibilidade do efeito do jornalismo é isso mesmo.
Em suma , um “jornal local” continua a ser fundamental no exercício da nossa liberdade de expressão se para tal estivermos predispostos a exercê-la sem receios ou medo de retaliações . É um grande veículo de “ livre pensamento”.
Saibamos usá-la com sabedoria.

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