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Celebrar Abril

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Celebrar o 25 de Abril, 44 anos depois, constitui-se como um ato de cidadania de grande responsabilidade e de profundo respeito, assumindo um significado especial no contexto presente.
Curvamo-nos hoje perante todos aqueles, portugueses e portuguesas, homens e mulheres sanjoanenses, que, com o sacrifício das próprias vidas, nos deram a conhecer a Liberdade, lutando ativamente contra um regime totalitário e tenebroso que nos submergiu durante 48 anos e cuja orientação política estratégica provocou um atraso, de tal modo decisivo no desenvolvimento do País, de que ainda hoje tentamos recuperar.
Responsabilidade maior, recebido que foi o testemunho dos capitães de Abril, dos quais Salgueiro Maia se constitui como exemplo maior, na alvorada daqueles dias únicos, de há 44 anos, é necessário continuar hoje a edificar a Liberdade e a Democracia, pedra-a-pedra, consolidando-as com a mesma vontade e determinação, com a mesma solidariedade e união, mas também com o mesmo sacrifício, suor e lágrimas...
As lágrimas, com que se festeja a Liberdade, são lágrimas de alegria pelo que conquistámos; a vontade, a determinação, a união, o suor e o sangue são marcas bem portuguesas, património genético de um povo solidário, mas que não se dobra nem abdica de lutar por aquilo em que acredita, qualquer que seja o preço a pagar... Este espírito é também a mesma marca dos "unhas-negras", tão bem retratada por João da Silva Correia.
Talvez por isso mesmo foi este povo capaz de partilhar "meio-mundo" com os seus vizinhos ibéricos, com uma população que pouco ultrapassava um milhão de habitantes, no Portugal de 500.
Foi este mesmo espírito de conquista que animou todos aqueles militares de Abril, a que rapidamente se juntou o povo nas ruas, celebrando a Revolução com cravos e não com tiros, num exemplo maior de maturidade cultural e civilizadora.
É esta nação 'Valente e Imortal", com 900 anos de história, que soube dar tantos mundos ao Mundo, que enviou e envia tantos dos seus filhos para ajudar a construir as sociedades da Europa e do Mundo inteiro, que diz aqui e agora a todos os povos, principalmente aos do Centro e do Norte da Europa, que pouco conhecem de Abril e de Portugal, que não recebe lições de cidadania, de determinação ou de solidariedade.
Celebramos o 25 de Abril. Não é apenas mais um na lógica temporal dos calendários...
A importância de celebrar Abril é mais relevante do que nunca: os desafios, as escolhas e o que se vai propor ao Povo, nos tempos que se avizinham, precisam do melhor de Abril que há em nós: a fraternidade, a crença, a força, a determinação e o orgulho de sermos Portugueses.
É este Abril que vai ser o farol a guiar a nau lusitana no mar da "tempestade perfeita" que se aproxima pela proa, qual Adamastor e Cabo das Tormentas, grandiosamente glosado por Camões...
E que bem que conhecemos o mar, nós os Portugueses!
E que bem que conhecemos as rotas do mundo e as fainas da vida, nós os sanjoanenses!

E que bem que sabemos navegar e lutar contra "Adamastores", dobrar e vencer "Cabos das Tormentas"!
Novidade, para nós, não é chegar!
Novidade, para nós, não é conseguir!
Desistir ou falhar, não faz parte do dicionário de Abril!»
Por isso, com toda a certeza, autorizados por esse grande português chamado Sebastião da Gama, adaptaremos:
Por "Abril" é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos? Haja ou não haja frutos,
"por Abril" é que vamos. Basta a fé no que temos, Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos, Com a mesma alegria Ao que desconhecemos E ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos
Por Abril e com Abril é que iremos!
Viva o 25 de Abril! Viva São João da Madeira! Viva Portugal!

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