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A importância do diagnóstico na medicina atual

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Qual terá sido o sentimento de Wilhelm Roentgen quando, em 1895, conseguiu obter uma imagem radiográfica da mão da sua esposa? Provavelmente, entusiasmo! Contudo, Roentgen não deve ter imaginado a importância da sua descoberta, nem as alterações que viria a provocar na área do diagnóstico. Pela primeira vez foi possível visualizar, por imagem, as estruturas internas do corpo humano. Desde então, temos vindo a assistir a uma evolução da Radiologia. As contínuas melhorias na aquisição e qualidade da imagem e o aparecimento de novas técnicas têm tido uma influência cada vez mais positiva na prática da medicina. Atualmente, as técnicas de imagem utilizadas influenciam as decisões terapêuticas e permitem avaliar com precisão a evolução da doença, contribuindo para o aumento da expectativa de vida e, assumindo um papel fundamental na prevenção, no diagnóstico, no controlo e em determinadas circunstâncias na cura da doença. Contudo, a mente humana, sempre insatisfeita, manteve a sua persistência na evolução da imagem. Um exemplo é a Ecografia. Esta é uma técnica utilizada para fins diagnósticos desde 1940, oferecendo vantagens significativas para a medicina, ao permitir o estudo dos órgãos internos sem utilizar radiações ionizantes. É realizada na avaliação de rotina da gravidez e do feto, na avaliação ginecológica, no diagnóstico da cólica renal, dos nódulos mamários e também no diagnóstico da patologia da tiróide. A utilização da técnica de Doppler associada à ecografia permite o estudo dos vasos e do fluxo sanguíneo no seu interior, sendo possível diagnosticar obstruções ou estenoses vasculares. A utilização da técnica de Doppler permite ainda a realização de estudos do foro cardíaco. Não estando ainda satisfeito, em 1972, o Físico Inglês Godfrey Hounsfield inventou a Tomografia Computorizada, que lhe valeu o prémio Nobel da Medicina em 1979. Esta tecnologia permite a aquisição de sequências de imagens, onde é possível visualizar os órgãos na íntegra e em todas as dimensões, conseguindo fazer reconstruções bidimensionais e 3D. Para além disso, a Tomografia Computadorizada permite diagnosticar uma grande variedade de patologias, desde alterações cerebrais até aos estudos vasculares dos membros inferiores, não esquecendo a patologia cardíaca, torácica ou abdominal. Por último, é possível através desta técnica fazer o controlo do tratamento e evolução da doença e comprovar a sua cura, assumindo um papel fundamental na Oncologia. Mais ainda, desde a década de 80 que a Ressonância Magnética assumiu um papel importante como técnica de diagnóstico em medicina. À semelhança da ecografia, esta não utiliza radiação ionizante. Através da criação de um campo magnético, permite a aquisição de imagens de alta resolução nos vários planos, detetando e caracterizando com acuidade as lesões. Permite estudos funcionais com grande aplicabilidade no diagnóstico da patologia cardíaca e cerebral e na deteção e caracterização de lesões mamárias e abdominais. A Ressonância Magnética é uma técnica com destaque no estudo da patologia músculo esquelética, permitindo diagnósticos precoces e tratamentos mais orientados, melhorando de forma significativa o prognóstico destas doenças. Em suma, olhando em retrospetiva, verificamos que, ao longo dos anos, surgiram novos equipamentos e tecnologia, que permitiram alargar o campo de aplicabilidade das técnicas de diagnóstico por imagem a um leque cada vez maior de doenças. Contudo, é importante saber que todas as técnicas continuam a ter o seu papel na medicina atual, como exames complementares, com um lugar cada vez mais importante na marcha diagnóstica e no tratamento do doente. Em relação ao futuro? Nada se pode concluir. No entanto, é certo que a tecnologia vai continuar a evoluir, levando ao aparecimento de outros métodos de diagnóstico e terapêutica. Não esquecer que outros desafios irão surgir e o desenvolvimento a que estamos a assistir na área de inteligência artificial irá, certamente, ter um papel importante na evolução da medicina e das técnicas de diagnóstico por imagem.

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