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“Zona industrial do Orreiro” estrangulada com áreas agrícolas e eucaliptal

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A deslocalização da Molaflex

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“Zona industrial do Orreiro” estrangulada com áreas agrícolas e eucaliptal

A confirmar-se a deslocalização da “Molaflex” para Santa Maria da Feira, é motivo de grande preocupação para o concelho de S. João da Madeira.
A “ Molaflex” é ainda hoje um símbolo histórico de vitalidade industrial deste concelho pela qual passaram gerações de trabalhadores tendo uma conotação forte com a imagem desta cidade.
Foi fundada por Ruy Moreira, pai do actual Presidente da Câmara Municipal do Porto, em 1951, tendo atravessado períodos de inovação e pujança económica, e um período de grande fragilidade provocada pelo “ PREC – Processo revolucionário em curso “ por volta de 1975.
A “Molaflex” acabou por ser vendida pelo seu fundador em 1989 à multinacional “ Faurecia “, que por sua vez a vendeu 3 anos depois ao grupo espanhol “ FLEX”. Emprega actualmente cerca de 300 pessoas, sendo uma unidade fabril que se destaca no tecido industrial sanjoanense, pela sua imagem, e pela qualidade do que fabrica.
A futura fábrica dará emprego a 400 trabalhadores, talvez numa fase inicial.
A sua expansão para outro concelho, não deve constituir surpresa para ninguém responsável nesta área, pois a mesma MOLAFLEX esteve há vários anos para se implantar no denominado “ Parque empresarial de Pigeiros “ num lote só (!) com 52.000 m2, e inserida já no concelho da Feira. Ou seja do tamanho da totalidade da ampliação da Zona industrial das Travessas, de S. João da Madeira.
S. João da Madeira fez nos últimos anos, uma única expansão industrial na dita “Zona Industrial das Travessas “ de pequena dimensão, que de pouco serve para empresas que perspectivem crescimento físico. No seu percurso surgiram vários problemas jurídicos que atrasaram a sua viabilidade. Carece ainda de uma boa ligação à E.N 227 havendo para isso várias hipóteses em aberto.
Acresce ainda que a Z. Industrial do Orreiro ( ver foto ), aonde está localizada a actual “ Molaflex”, precisa de uma urgente expansão para poente, pois a mesma já esgotou por completo os lotes industriais existentes . Ultimamente com a unidade fabril “ Simflex” .
Não é admissível constatar que o PDM ( Plano Diretor Municipal ) de S. João da Madeira tenha delineado para uma única possível zona de expansão, “Reserva Agrícola” e “zona de habitação preferencial” , como se a cidade não tivesse já apartamentos de sobra para venda.
Por sua vez Santa Maria da Feira tem feito uma aposta ambiciosa em espaços industriais que servirão empresas geradoras de emprego.
Por exemplo a Z. Industrial do “LUSOPARK” tem cerca de 420.000 m2, o “ Parque Empresarial de Pigeiros “ tem 360.000 m2 e a zona de expansão industrial de S. João da Madeira das Travessas tem apenas 50.000 m2. Esta última daria para duas fábricas de grande dimensão.
Caso S. João da Madeira não reverta esta realidade com alterações profundas no destino dos seus solos, que se encontram preenchidos por eucaliptais, na zona poente, e de forma a criar infra-estruturas para receberem novas indústrias, outras empresas poderão seguir o exemplo da “ Molaflex” e procurar novos destinos noutros concelhos . Porque afinal, quem lidera este tipo de empresas é pouco dado a bairrismos ou “afectos concelhios “.
Há pois uma lição dura a tirar com todo este processo.
Não existirão desculpas relativamente a acessos e vias de escoamento para os principais pontos do País, pois o concelho Sanjoanense é praticamente servido por 2 auto-estradas ( A32 e A1 ) , e o IC2 via de grande importância com ligação à A1. Ligações estas invejáveis para muitos concelhos deste país.
Urge pois aprender com o sucedido e meter ” mãos à obra”, alterar PDM caso seja necessário, e criar condições objectivas para alicerçar indústrias em crescimento.

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