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Acabou a festa!

Estamos a escassas horas da posse dos eleitos para a nova composição do principal órgão autárquico. Por força da vontade popular caiu o mito de que só as candidaturas lideradas por personagens “iluminadas” ou com passado político nacional conseguiriam 5 mandatos em 7. Alguém com uma postura simples, no polo oposto da arrogância – política, entenda-se - acompanhado de cidadãos com experiência profissional e mais vontade de servir do que experiência de ocupação deste tipo de cargos, arrumou de vez com aquela ideia provinciana de que para ganhar eleições era necessário “vir algum de fora”, tipo D. Sebastião numa manhã de nevoeiro. Não. Foi num dia de céu limpo que os incógnitos eleitores decidiram mudar a agulha e deram a Jorge Sequeira uma responsabilidade acrescida, muito maior do que a que teria se tivesse ganho, como se dizia, por uma “unha negra”. Chegados aqui acabou a festa. Essa responsabilidade acrescida terá de ser traduzida em ações e decisões; algumas das quais, para benefício da cidade, implicarão ruturas. Mas é mesmo isso que se espera. Para isso Jorge Sequeira e a sua equipa contarão com uma estrutura municipal cuja responsabilização hierárquica deve ser reforçada e respeitada. Os eleitos têm uma função de gestão política. A pirâmide funcional dos que exercem funções municipais deve executar essas decisões no cumprimento de um programa eleitoral, ação que será avaliada com rigor. Não podem – como em alguns casos aconteceu no passado recente – verificar-se novamente situações em que os autarcas confundem a sua função política com a de encarregados de obra, chefes de repartição ou presidentes de comissões das festas em desrespeito pelas hierarquias estabelecidas. Esses comportamentos são o princípio do caos e a prova foi dada no dia 1. E também não pode existir na câmara municipal qualquer gabinete de propaganda partidária. Jorge Sequeira sabe-o bem e dele se espera, bem como dos demais eleitos, a máxima competência, transparência e respeito pelo grau de exigência que cada vez mais os sanjoanenses demonstram ter. E dos eleitos pela oposição, sem prejuízo da firme manifestação de eventuais divergências, mais não se espera do que lealdade e até colaboração – quando tal se justifique – de forma a que também os sanjoanenses possam respeitar o papel fundamental que a oposição tem. Se começarmos a assistir a guerrilhas de alecrim e manjerona por dá cá aquela palha, teremos de nos recordar – e isso não queremos - de quem no passado nos fez tantas vezes desabafar … Balha-me Deus!

Foi-se a ministra… ficou o resto!

A ministra da Administração Interna deixou de o ser. A política tem destas coisas e quem exerce este tipo de funções está sempre sobre fogo sendo que, embora literária, neste caso a alusão se aplica duplamente. Os ministros constituem a cúpula de estruturas gigantescas e são, politicamente, responsáveis pelo seu bom ou mau funcionamento. No limite, se alguém numa qualquer repartição pública (pode ser num hospital e até sem ter sido politicamente nomeado…) nos tratar mal estamos livres de dizer que a culpa é do ministro ou até de todo o Governo. Nada nos impede de o fazer e dependerá da dimensão desse mau tratamento, da amplificação que lhe conseguirmos dar na comunicação social e de conhecermos alguém importante num qualquer partido que faça uma série de declarações públicas. E aí está lançada a primeira pedra num processo que pode, no limite distante, levar à saída do ministro. Claro que esta comparação é, sem qualquer dúvida, meramente teórica e introdutória do que quero dizer a seguir. E o que quero dizer é que já podem os portugueses dormir descansados porque a ministra foi embora. É claro que ficaram todos os outros: os incendiários, os juízes que os soltam logo depois de serem detidos em flagrante, os proprietários que não limpam os seus terrenos, as juntas de freguesia e os eleitos municipais que desleixam permanentemente a limpeza de espaços públicos como passeios, bermas, matas e tudo o mais, os cidadãos que gostam de foguetes em qualquer festa ou romaria, os que fazem piqueniques nas matas e não cuidam da segurança, os que fumam a conduzir – ou até a caminhar – e habitualmente atiram a beata acesa para o lado que às vezes é combustível, os que conseguem filmar e colocar nas redes sociais os incêndios a começar criando até desconfiança se são os próprios a atear os incêndios para se tornarem repórteres, etc, etc, etc. Todos (individuais, coletivos, privados e públicos), todos ficaram nas suas funções. Mas a ministra foi embora e todos podemos dormir descansados. Alguns até mais felizes! Como o Dr Marques Mendes, por exemplo, que teve a lata de dizer que a oposição (leia-se PSD) não foi capaz de capitalizar a desgraça contra o governo. Mas o CDS/PP, mais humanista, foi. Liderado pela ex-ministra que nada fez pela floresta… “Porca miséria” como dizem os italianos. Ah! E os jornalistas. Os repórteres das televisões. Embora deixem de ter terra queimada para de lá fazerem os diretos, ou até junto de uma habitação a arder e de fazerem aquelas perguntar demasiado parvas do género: “Então? perdeu tudo? Como se sente???”. Ou de dizerem, junto a uma labareda “chegamos aqui e não encontramos nenhum bombeiro…”. Sei bem o que é jornalismo. E isto não se assemelha nada ao que aprendi nestes anos. Mas como nasci num quartel de bombeiros queria deixar uma sugestão ao próximo responsável governamental pela área: atribuir à televisões e rádios vários veículos com depósitos de água e uma mangueira. Como são sempre os primeiros a chegar junto dos incêndios sempre teriam a possibilidade de começar o trabalho por apagar os fogos e depois faziam a reportagem. O que o país ganhava com isto. Ah! Mas os incêndios acabaram porque a ministra foi embora. Já me esquecia!
Balha-me Deus...

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