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O Cancro da Próstata

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O adenocarcinoma da próstata é o cancro mais comum no homem, com uma incidência mundial de 1.6 milhões de novos casos por ano e com tendência a aumentar, dada a sua relação direta com uma maior esperança média de vida e o crescimento populacional. No mundo Ocidental, um em cada 6 homens tem risco de desenvolver um cancro da próstata e a taxa de mortalidade anual é de 350 mil homens. Felizmente, dada a sua natureza habitual de crescimento lento, a maioria dos homens não irá morrer devido a esta patologia. Além disso, uma detecção da doença em estados mais precoces, resultante de políticas de rastreio oportunistas, tem permitido um maior leque de opções terapêuticas curativas e tecnologicamente mais avançadas para a doença.
Situada abaixo da bexiga e à frente do recto, a próstata forma um anel à volta da uretra - o canal pelo qual a urina sai do organismo. Trata-se de uma glândula que contribui para a fluidificação do sémen. O cancro da próstata decorre da transformação de células normais desta glândula em células tumorais que podem progredir e espalhar-se para outras partes do corpo.
A maioria dos cancros da próstata ocorrem em homens com mais de 50 anos e surgem de forma indolente, isto é, na maior parte das vezes é assintomático na sua forma de apresentação. Raramente, podem surgir sintomas como um incremento no número de micções diárias ou diminuição do jacto urinário. Contudo, convém sublinhar que estes sintomas estão, na maior parte das vezes, relacionados com condições benignas (ex: hiperplasia benigna da próstata; bexiga hiperactiva, estenose da uretra...) e que devem motivar uma consulta com o médico de família ou com o Urologista.
O teste mais utilizado para o rastreio do cancro da próstata é o exame sanguíneo dos valores de PSA (Prostate Specific Antigen) sérico e o toque rectal para pesquisar áreas anormais da próstata. Nos últimos anos, surgiram vários avanços ao nível das técnicas de imagem, nomeadamente, da ressonância magnética prostática e ao nível da identificação de diferentes biomarcadores urinários, que tentam melhorar a especificidade do PSA e refinar o diagnóstico do cancro da próstata.
Classicamente, os principais tratamentos com intuito curativo para o cancro da próstata localizado são: a cirurgia (prostatectomia radical) onde a glândula prostática é removida completamente por via aberta, laparoscópica ou assistida por robot e/ou, a radioterapia administrada quer por várias sessões nas quais uma máquina se move à volta do corpo do doente e emite radiação que destrói as células malignas, ou através de sementes radioactivas colocadas directamente na glândula prostática (braquiterapia). Recentemente, surgiu a opção de vigilância activa para os cancros indolentes (baixo risco de malignidade) que consiste em adiar o tratamento definitivo e os efeitos secundários associados até que estes tumores apresentem características de maior agressividade, exigindo a compreensão do próprio doente e a necessidade de realizar vários testes de rotina de forma iterativa (PSA sérico; exames de imagem; biópsias prostáticas).
Tendo em conta que as células cancerígenas prostáticas são, numa primeira fase, sensíveis à presença de testosterona no organismo e que a supressão da produção e acção da testosterona a nível local está associada a uma redução do volume tumoral significativa, os doentes com doença localmente avançada ou metastizada têm a opção de iniciarem castração química (hormonoterapia) ou cirúrgica (orquidectomia). Em alguns casos, a hormonoterapia pode também ser administrada em conjunto com as opções de tratamento com intuito curativo (prostatectomia radical ou radioterapia).
Por último, e não menos importante, doentes com doença localmente avançada ou metastizada ad inicium, ou nos quais o cancro da próstata se torne resistente à supressão androgénica (hormonoterapia), podem realizar quimioterapia visando destruir células malignas ou impedir o seu crescimento.
A decisão do melhor tratamento deve ser partilhada entre o doente e o seu Urologista e vai depender do estado do cancro da próstata, da idade, das comorbilidades e da consciência do doente relativamente a cada opção terapêutica. Na verdade, o doente deve partilhar as suas dúvidas e expectativas com o seu Urologista relativamente aos benefícios e riscos associados a um tratamento, opções alternativas e as consequências de não ser submetido a qualquer tratamento.
Após o tratamento, o doente deve manter o seguimento com o seu Urologista e realizar exames de rotina (teste de PSA, exames de imagem...), de modo a detectar precocemente, se for caso disso, recidivas da doença oncológica e aumentar as suas hipóteses de cura.

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