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Do Parque ao Fórum

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A participação no Campo de Férias “Estamos Juntos” fez-me conhecer muitos conterrâneos ainda de tenra idade. Entre os anos de 1982 e 1987, as traseiras da escola primária do Parque recebiam, nas manhãs de julho, os participantes daquela iniciativa, pioneira no preenchimento ocupacional dos tempos livres das crianças e jovens, entre os 4 e os 12 anos de idade.
Essas manhãs eram preenchidas com atividades desportivas, contacto com algumas e aprendizagem rudimentar de outras. Além da promoção do convívio entre os demais participantes, completava-se o tempo com a experimentação de artes performativas, com peças de teatro e danças a serem as mais eleitas. Com base neste esquema, foram-se sucedendo as edições do Campo de Férias. O número de participantes foi aumentando de edição para edição, apesar de surgir concorrência após as primeiras edições. Uma constante desses anos foi inovação implementada, que atraía os participantes dos anos anteriores e fidelizava outros para os anos vindouros. Neste capítulo, recordo-me da construção de um campo de basquetebol, nos quinze dias anteriores ao início de uma das edições, ou do fim-de-semana em acampamento na Serra da Freita, ou mesmo, a receção de um grupo de ingleses ao abrigo dos programas de intercâmbio, para exemplificar o que se conseguia fazer em tempos remotos.
Neste contexto conheci Paulo Cavaleiro. Lembro-me dele ainda criança, sempre com vontade de descobrir novas modalidades desportivas, de competir com os mais velhos e de se superar. À medida que o conceito do “Estamos Juntos” foi evoluindo, ao ponto de se constituir como Associação e passar anos depois a organizar os Campos de Férias nas Corgas, teve sempre a companhia do Paulo. Recordo quatro desses momentos, que podem ajudar a caraterizá-lo:
I) nos torneios desportivos do Campo de Férias, por vezes, havia provas a decorrer em simultâneo, uma final do torneio de xadrez coincidiu com as provas de Natação, voluntarioso o Paulo manteve a participação em ambas, abandonava o tabuleiro e ia nadar e depois da prova, voltava ofegante para o tabuleiro e repetia o vaivém porque estava inscrito para outra;
II) anos antes, num dos primeiros acampamentos na Serra da Freita, um dos inscritos tinha 4 anos, Paulo era o mais velho, ficou responsável durante os três dias por cuidar do mais novo, a criança foi entregue aos pais sem qualquer arranhão;
III) numa determinada manhã, Paulo e sua irmã Sónia apareceram a correr pelos acessos da escola do Parque com umas folhas na mão, tinham criado um jornal do Campo de Férias – “o Férinhas” – tudo escrito à mão e assim copiado, a iniciativa vingou, tendo sido nesse título em que publiquei o meu primeiro texto;
IV) por fim, na tal evolução da AEJ, organizaram-se vários espetáculos na Praça Luís Ribeiro, em 1989, o “Adeus ao Verão” espetáculo com artistas sanjoanenses e durante vários anos da década seguinte, a festa final do Campo de Férias, escusado será dizer que Paulo participava sempre, mobilizando outros jovens para o palco, enfrentando a assistência sem qualquer dificuldade.
Ao longo do seu percurso de vida, que fui acompanhando, encontrei sempre estas caraterísticas. Primeiro no futebol, depois na sua dedicação à ADS, mais tarde como profissional de desporto e, por fim, na sua carreira política. Tudo etapas mais ou menos conhecidas dos leitores e que têm sido lembradas na propaganda política.
Paulo entrou na vida partidária muito jovem, fez a ascensão política de baixo para cima, ou seja, da juventude partidária até ser candidato a presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, subindo os sucessivos degraus em mais de 25 anos de filiado. É olhado com desconfiança, por um certo elitismo, que não acredita na sua simplicidade e na sinceridade do seu discurso. Esquecem a sua capacidade de mobilização, de iniciativa e da energia que deposita nas suas convicções. Não compreendem que a sua política é próxima dum humanismo preocupado em cuidar dos mais desfavorecidos, promovendo o desenvolvimento e a justiça social. Felizmente, Paulo Cavaleiro não alterou o seu discurso, nem se iludiu com uma perspetiva económica nas suas palavras. Manteve-se focado na sua cidade, nas suas instituições e associações e sobretudo, nos seus habitantes.
Para chegar ao 7.º piso do Fórum Municipal falta apenas ultrapassar um degrau democrático, vencer as eleições deste domingo.

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