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Como vai a campanha

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A argumentação política, em torno das autárquicas do próximo dia 1 de outubro, continua aquém do esperado.
Por um lado, temos os partidos ou coligações a apresentarem candidatos e o programa eleitoral, ou seja, com um espírito positivo e tentando manter uma elevação eleitoral. Por outro, temos o costume… a centralização na pessoalização, entrando-se na tentativa de denegrir a imagem dos adversários, utilizando-se, desta vez, as querelas partidárias como argumento. Cada vez mais, temos as redes sociais como fator de mobilização. Passando as ideias ali expressas para os textos de opinião nos jornais e até neste contexto surgiu uma notícia não assinada, no jornal labor, na qual a deontologia jornalística parecia ter ficada esquecida.
Poderia escalpelizar os casos e dar vários exemplos, através dos textos que fui recolhendo ao longo deste últimos quinze dias, acrescentando alguns de julho, quando ficou oficializada a candidatura de Paulo Cavaleiro como candidato pela coligação PPD-PSD/CDS-PP. No entanto, seria maçador para os leitores prosseguir com o exercício exaustivamente, por isso, apenas será apresentado um ou outro exemplo, de forma reduzida.
Ficou visível para a sociedade a inversão de juízo que os agentes de oposição passaram a fazer do presidente da Câmara Municipal em exercício. Ricardo Figueiredo durante três anos e oito meses não foi reconhecido meritoriamente. Sofreu alguns ataques, como nunca tinha sido visto em S. João da Madeira. A partir do momento em que anunciou a sua indisponibilidade para se recandidatar e ficando-se a conhecer os pormenores desse processo, tal facto provocou uma inflexão na opinião que os seus opositores tinham sobre si.
Há quatro anos, utilizavam-se argumentos de elitismo para atacar Ricardo Figueiredo. Hoje, é o inverso. Apelida-se a candidatura de Paulo Cavaleiro de “populismo”. O populismo é um flagelo na democracia ocidental, que assenta em pilares como o ataque aos refugiados, aos imigrantes e sobretudo, às elites. Não se verifica a utilização de qualquer ataque por parte da coligação PSD/CDS a um dos grupos mencionados. Antes pelo contrário, há uma mensagem explícita que as “elites” de S. João da Madeira não querem Paulo Cavaleiro como presidente. Não me parece que tal seja verdadeiro. Estive na apresentação do candidato no Largo S. António em julho e muitas das pessoas presentes, tinham estado igualmente em 2013 na Casa da Criatividade na apresentação de Ricardo Figueiredo, à qual igualmente compareci. Em ambas como independente. Há uma catarse argumentativa, uma expiação do populismo exercido em 2013, que fica bem se o arrependimento for sincero e não pontual.
As redes sociais são hoje um instrumento ideal para o poder de manipulação. Devia ter escrito a frase entre aspas, pois é uma citação retirada de um texto de Pacheco Pereira. O contexto era a comemoração das 10.000 edições do jornal Público. O historiador alertava para a necessidade de mediar os comentários anónimos nas páginas on-line dos jornais nacionais. Quando li, lembrei-me dos ataques que existem no jornal “O Regional” aos cronistas residentes. É certo que existem outros esquemas de manuseamento das redes sociais a favor quer de políticos, quer de políticas, tudo isto sem qualquer transparência, utilizando-se páginas anónimas tentando ridicularizar candidatos, como tem acontecido nas eleições deste ano. Na mesma semana, uma página do Facebook, especializada em satirizar os agentes da política, publicou dois posts alusivos ao candidato de PSD/CDS de S. João da Madeira. Pelo meio ainda o brindaram com uma alcunha.
Perante tudo isto, aguarda-se pela publicação de novas sondagens, para verificarmos qual a mensagem que melhor é acolhida pelos eleitores: a positiva, respeitando os adversários políticos e promovendo uma campanha dinâmica de informação ou, no campo oposto, a ziguezagueante com argumentos antagónicos conforme o adversário e sobretudo, com apreciações dos candidatos que em nada abonam a classe política que o permite.
O escrutínio do primeiro dia de outubro dissipará todas as dúvidas.

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