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Numa esplanada em dia de verão

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Um adolescente de 14 anos pede uma “bica” e a discussão instala-se, com o pai a substituir o seu pedido por uma "cola", que fica por beber.
Quando chegou a vez do Rafael, logo disse, com a voz mais calma deste mundo sem sequer levantar os olhos do livro de história aos quadradinhos que estava a ler, "bica”. Todos as conversas se interromperam e os olhares dos pais, dos irmãos, do tio Zézé e da cunhada dele se voltaram para o Rafael. O próprio empregado do café, fardado a rigor, parou, por um momento, de assentar o que estavam a pedir e logo sorriu com ar gentil, com intuito de lhe ser agradável. O menino não prefere antes uma cola?
O Rafael apercebeu-se de que algo se estava a passar e olhou, primeiro, para os acompanhantes da mesa e, depois, para o empregado: "bica! Eu disse bica", voltando os olhos para o livro. O empregado, com ar mais sério, estava prestes a escrever o pedido do seu cliente adolescente quando o pai do Rafael, farto de tanta "rebeldia" e desejoso de que a sua própria bica viesse o mais rapidamente possível, fez um gesto ameaçador com a mão para o filho se calar e exclamou com ar rígido: “traga-lhe uma cola!”.
O Rafael pousou o livro, fixou o pai olhos nos olhos e com toda a calma perguntou: “mas por que é que não posso beber uma bica?”.
Toda a gente desatou a falar ao mesmo tempo - o pai, a mãe, os irmãos, o tio Zézé, a cunhada dele e até o empregado mais o patrão e duas senhoras de idade sentadas na mesa ao lado. A conversa durou cerca de 20 minutos, ao fim dos quais o pai pagou, toda a gente se levantou e o Rafael ainda apanhou um cachaço (parte superior do pescoço). A cola ficou, intacta, em cima da mesa. Só que ninguém conseguiu explicar ao Rafael porque é que um rapaz de 14 anos de idade não pode, numa manhã de domingo e com o tempo a convidar saída, numa esplanada citadina, beber uma simples “bica”.
Pode? Será que pode? Provavelmente pode e deve. O café, um só café por dia, tomado de manhã (segundo estudo), ajuda o cérebro a filtrar os estímulos secundários e desnecessários e motiva, assim, a atenção para estímulos mais interessantes.
Por outro lado, se raciocinarmos que os estudantes são hiperestimulados, a função de filtro tende ajudar o cérebro a não se encher de coisas inúteis, principalmente quando se está a dormir, durante o sono.
Sendo assim, um rapaz de 14 anos pode beber uma “bica” de manhã. Até porque, pais do Rafael, a cola também tem cafeína. Sendo este o problema!...

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