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Para viver é preciso saber

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Julgo que ninguém acha que ser pobre seja uma escola para a vida. Nem um meio de aprender a ter caráter. É que para endurecer o corpo (e a alma) é, no primeiro caso, necessário levar sova de criar bicho e, no segundo, passar dificuldades e comer o pão que o diabo amassou. Viver mal não é seguramente caminho para coisa nenhuma e, por isso, considero indigna (para não dizer coisa pior) a aceitação da normalidade de dois milhões de portugueses no limiar da pobreza.
Para o número, o concelho de S. João de Madeira contribui com cerca de 1.700 pessoas carenciadas. Posto isto, oblíquo noutra direção. Para dizer que, não obstante, num país (na mira estão alguns sanjoanenses residentes) onde a miséria bate às portas, se estragam recursos se desperdiça comida e gasta, em inúmeras situações o que não se tem.
Como atira em conversa um amigo meu: quem só tem dinheiro para "jaquinzinhos" não deve comer lagostim. Há locais em S. João da Madeira (também os há) onde, no final das refeições, causa repulsa ver o que sobrou. E o que se deita para os contentores do lixo.
E há famílias (não tenho nada a ver com a vida delas) onde os meninos são treinados não para viverem como cidadãos mas para serem consumidores, esbanjadores ou predadores. A velha máxima dos tempos atrasados de que tudo o que se punha no prato era para se comer foi para o caixote do lixo, com desperdício (se bem que hoje atenuado, porque já há quem leve os restos).
Vem esta alocução pública a propósito de uma carta que me facultaram, escrita em 1962, por um sanjoanense que passou pela guerra colonial (Angola) a serviço da Pátria. A mesma pessoa (pronto vou dizer quem foi, o "Antunes”, como era tratado no campo militar) lembra anos desgraçados para muita gente que vivia (ainda hoje se vive) nos bairros, lugar de pobres e remediados. O "Antunes”, hoje com 78 anos de idade, avô de um rapazola, revela algo que está a faltar: ponderação e atitude. Se quiserem princípios ou saber viver.
Advertia então o avô ao neto. O menino, é assim que tratam o Francisquinho, fica prevenido de que quando não puder ou quiser cá vir comer faça o favor de avisar de véspera a sua avó para evitar despesas inúteis. O mesmo fará quando precisar de vir, para a avó saber com que se deve contar. A isto bem chamo eu educação. Afinal para viver é preciso saber, mais agora que vivemos numa era moderna!

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