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Ruído

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Em S. João da Madeira fala-se muito pouco, ou melhor não se fala mesmo nada de poluição sonora. É preciso falar bem alto, não aos gritos, mas se for o caso estamos cá para que nos ouçam sobre o tão esquecido assunto.
Alguém precisa de saber e perceber do que se trata, ruído, barulho excessivo, contaminação acústica ou tão simplesmente agressão continuada aos tímpanos. Basta conhecer algumas ruas e avenidas da cidade e frequentar alguns bares. Não sendo estranho, ao fim de semana, certos fins de semana, a poluição sonora salienta-se pela calada da noite.
O cidadão tem, neste caso não tem, direito ao silêncio de onde vem toda a concentração, todo o pensamento e o demais tão imaginativo para contrastar com os sons ruidosos.
Conhecidos todos os perigos e malefícios do ruído, em particular da alta fidelidade em doses, para a saúde física e mental dos humanos, diremos que o barulho é um dos sintomas de uma cidade que se desumaniza, que não comunica, que agride e hostiliza os mais fracos e vulneráveis. A brutalidade do dia-a-dia, em particular da noite sem fiscalização policial, torna o ambiente urbano agreste demasiado agressivo e duro, quando a cidade devia ser terra da naturalidade, dos que habitam ou nela trabalham ou visitam, não um poço de perigos doentios.
Claro que o tráfego automóvel, excessivo e dominante, representa um dos fatores senão o maior, mais importante, na geração do ruído.
Ma há outros fatores bem conhecidos um pouco por toda a parte. São os chamados fenómenos localizados que agravam o cenário sonoro. É entrar-se num café e ser-se invadido pela sensação desconfortável de agressão aos ouvidos!
A TV com volume excessivo, a manipulação de louça demasiado perto dos clientes, o arrumar das cadeiras sem o devido cuidado. Mais: o ruído excessivo acicata mais o massacre. É a buzina fora de hora e de lei por tudo e por nada, é a motorizada que atravessa uma avenida a acelerar o que atormenta as pessoas no seu irritante percurso. Enfim, não faltam exemplos infelizes.
Legislação existe - falta fazê-la cumprir. Os municípios não podem alhear-se deste drama. De facto, fala-se muito pouco de poluição sonora. Tão pouco que os pássaros das cidades já se adaptaram ao massacre dos "pardalões".

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