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Projeto político esgotado

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Um legado político com a dimensão daquele que Castro Almeida deixou à cidade – em quantidade e qualidade – demora muitos anos a ser avaliado. Desde logo, porque a distância temporal traz consigo a frieza necessária para que aqueles que o apoiaram lhe reconheçam os erros e aqueles que o contestaram lhe reconheçam as virtudes. Depois, porque permite identificar os méritos e os defeitos, no médio e no longo prazo, das ações e das omissões verdadeiramente relevantes.
Por imposição legal, o percurso de Castro Almeida enquanto presidente da câmara de São João da Madeira terminaria em 2013. Terminou mais cedo, com a assunção de novas funções, e as responsabilidades autárquicas foram assumidas por aquele que Castro Almeida perspetivou como seu sucessor, Ricardo Figueiredo.
Ricardo Figueiredo apresentou-se a eleições em 2013 e em 2016. Ganhou ambas, a primeira com maioria relativa e a segunda com maioria absoluta. Este ano, não será candidato.
Os problemas da vida interna dos partidos, nomeadamente aqueles que são próprios da escolha de candidatos, não precisam de ser problemas de todos, problemas da democracia. Mas são-no, certamente, quando espelham a incapacidade de dar resposta à exigência fundamental que se impõe a um partido em vésperas de eleições: demonstrar consistência em torno de um projeto político. Os episódios em torno da escolha do candidato do PSD, que recentemente vieram a público – e que culminaram com a já anunciada candidatura de Paulo Cavaleiro –, nenhum interesse teriam, não fora o caso de demonstrarem de forma cristalina o esgotamento do projeto politico do PSD.
A saída de cena de Ricardo Figueiredo – e de outros que, eventualmente, o possam acompanhar – concretizou, definitivamente, a orfandade do PSD local de um projeto que se iniciou em 2001. Mas o fim do projeto político do PSD não é só consequência da saída de Ricardo Figueiredo. É também a causa. O desfecho das hesitações de Ricardo Figueiredo, a que todos assistimos pelos jornais, deixou perceber que o sucessor de Castro Almeida deixou de acreditar na possibilidade de o PSD ser o suporte da continuidade de um projeto político consistente.
A quatro meses das eleições sabemos pouco do que aí virá. Mas já sabemos o suficiente para poder tomar como certo aquilo com que não podemos contar. Do PSD não virá gente nova, nem ideias novas.
As exigências que se colocam àqueles que se apresentam como alternativa são, por isso, de grande monta. S. João da Madeira anseia por um projeto político que lhe devolva a centralidade que perdeu e que compense o vazio que oferecem aqueles que até agora estiveram no poder. S. João da Madeira merece esse projeto político. Tê-lo-á.

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