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Os estáveis e os instáveis

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Na passada semana prosseguiram as entusiasmantes eleições em alguns países europeus.
Em março, na Holanda começou a esboçar-se o desmoronamento do populismo da extrema-direita nacionalista. Seguiram-se as eleições presidenciais franceses. Uma primeira volta, com grande incerteza sobre quem seriam os dois candidatos mais votados, que permitiu fazer-se toda e qualquer especulação sobre a política francesa. Mesmo após a vitória de Emmanuel Macron, na eleição definitiva, surgiram vários reparos: o fim da dicotomia “jacobinos” e “girondinos”; o voto “útil” republicano contra a Frente Nacional (FN) da família Le Pen, empolando-se o resultado desta força política, afirmando-se precipitadamente ser o maior partido de França; a impossibilidade do presidente eleito poder governar, pois o parlamento a eleger em Junho ser-lhe-ia hostil.
Chegados ao dia 11 de junho, os resultados eleitorais de França permitem chegar a conclusões diferentes das premissas ventiladas após as eleições presidenciais. Em primeiro lugar, o novo partido “social-liberal” fundado em torno das convicções do novo Presidente passou a ser a maior força do parlamento, garantindo assim, a governabilidade da França. Em segundo lugar, a dispersão de votos pelos restantes partidos, fazendo com que a FN seja apenas a quarta força eleitoral, à frente do Partido Socialista (PSF), mas atrás do Partido Republicano e da esquerda insubmissa de Mélenchon. Por último, como se pode ver pelas linhas anteriores, o PSF perdeu completamente o seu eleitorado.
Ainda falta apurar os resultados definitivos das eleições legislativas, a segunda volta, a decorrer no próximo Domingo, no entanto, dá para perceber que o PSF está a ser penalizado pela péssima atuação do anterior Presidente da República Francesa e o seu indeciso governo. O PSF, mesmo com a sua deriva ideológica à esquerda, solução encontrada para evitar processos eleitorais semelhantes aos socialistas gregos, ou mesmo, holandeses, não cativou. Desta vez, o seu eleitorado preferiu o discurso claro, integrador e pró-europeu de Emmanuel Macron, optando por apoiar um partido central.
Um partido “social-liberal”, como se definiu o “A República em Marcha”, pode ser novo em França, no entanto, em Portugal já existe há alguns anos, precisamente o PPD / PSD, que alterna entre a ideologia liberal e a social-democracia de inspiração cristã. Curiosamente nos gráficos dos resultados eleitorais do passado Domingo, nos órgãos de comunicação social franceses, os resultados do partido de Macron apareciam a laranja.
A estabilidade eleitoral francesa, a sua opção europeia, contrasta com a instabilidade inglesa. Ambos os países tinham resultados nas eleições europeias semelhantes – uma clara vitória de partidos que pretendiam uma saída da União Europeia (em França, a FN e no Reino Unido, o UKIP). Para agravar a posição dos britânicos, no referendo sobre a permanência na Europa, o voto foi dividido, com ascendente para o “Não”. Com o “Brexit” na agenda, a primeira-ministra britânica forçou eleições antecipadas, para garantir maior capacidade negocial, baseando-se em sondagens que eram favorável ao seu partido, o Conservador. Uma campanha eleitoral com várias contradições, um discurso pouco claro, com pouco apoio dos jovens, não permitiu a Theresa May alcançar a maioria absoluta e corre o risco de governar com uma oposição maioritária no parlamento, caso não consiga fazer uma coligação séria com algum partido.
Por seu lado, o Partido Trabalhista conseguiu o melhor dos resultados dos últimos anos. Com um discurso, apelidado de retrógrado, do seu líder, Jeremy Corbyn, que agradou sobretudo ao eleitorado mais novo, o que não deixa de ser uma curiosidade. No meio da instabilidade inglesa, parece plausível afirmar que a convicção do líder Trabalhista foi o único argumento estável das eleições britânicas.
Pela diferença de posições dos partidos da esquerda moderada, em França e no Reino Unido, podemos verificar que as derivas ideológicas não correspondem exatamente aos mesmos resultados eleitorais. Cada país é diferente de outro, havendo sempre voto penalizador para discursos e atos pouco claros. Acontecendo o contrário, quando a convicção é grande, quer seja ideológica, quer seja inclusivamente pragmática, ou pró-Europeia, o eleitor prontifica-se a premiar a coerência.
A terminar, umas palavras para as eleições autárquicas em S. João da Madeira. Após a recusa de Ricardo Figueiredo em ser candidato pela coligação PSD/CDS-PP, recordo a ideia democrática portuguesa baseada nos partidos políticos. Cada vez mais me convenço que o caminho dos independentes é seguir o exemplo de Rui Moreira: pela cidade, sozinho e quem quiser apoiar… não fica com os “louros” políticos.

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