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Finalmente tetra

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O sábado passado foi intenso. Um sábado resumido em três “F”, pelo centenário das aparições de Fátima, pelo futebol e pelo Festival Eurovisão.
Como podem ler no título da crónica, apenas vou referir o futebol, mais concretamente a conquista do tetra campeonato pelo Benfica.
O primeiro tetra campeonato foi conquistado em Portugal pelo Sporting. Corria o ano de 1954 e a mítica equipa deste clube ficou conhecida pelos “cinco violinos”, pela qualidade do futebol praticado, por igual número dos seus jogadores. Nas décadas anteriores, o Benfica tinha conquistado um tricampeonato, nas primeiras edições do Campeonato Nacional, feito igualado anos depois pelo Sporting. Conhecendo-se a rivalidade dos clubes lisboetas, percebe-se perfeitamente que alcançar um tetra campeonato foi uma obsessão para o Benfica. Depois de 1954, por quatro vezes, os encarnados conquistaram três campeonatos seguidos. O quarto escapou sempre. Umas vezes por poucos pontos, outras por mais e na última delas, em 1977/1978, o campeonato foi perdido pela diferença de golos marcados e sofridos.
Foi preciso esperar 39 anos, em rigor quase este número, pois faltaria um mês para se completar o aniversário, para os adeptos do Benfica conseguirem concretizar um sonho antigo: de igualar o feito da equipa de Jesus Correia, Travassos, Vasques, Albano e Peyroteo. É sabido que durante estas quase quatro décadas, aquele feito foi superado pelo Futebol Clube do Porto, pelo que, como se percebe, para os adeptos do Benfica um novo ciclo se inicia.
Os jogos decisivos são vividos por mim de forma especial. Transformo-me em adolescente, salto (quando não permaneço os 90 minutos sempre de pé), grito, enfim, vibro a ver os jogos. Este ano, optei por ver estes jogos acompanhado, em espaços públicos, como referi na crónica a propósito do Oliva Beer Mind, outros em espaços privados, quer em ambiente amigável, quer em ambiente hostil, ou em casa de amigos em ambiente de fraternidade e completo acordo na devoção ao clube. Adotando sempre a mesma postura de adepto, crítico nos maus momentos, incentivando quando as coisas correm mal e feliz por o jogo ter terminado. Há muito, optei por digerir rapidamente qualquer resultado.
Ver a festa de Lisboa, via BTV, apenas até à entrega da Taça ao capitão Luisão e depois repetir o ritual do banho de multidão na Rua João de Deus.
Quatro anos consecutivos, cada vez mais gente a encher as ruas.
A longa fila de automóveis, as perícias dos automobilistas, os fogachos, as tochas, os petardos a ecoar são as atrações da festa espontânea. Um manto vermelho, saltitante, repetindo os cânticos de incentivo à equipa são o motivo de união e os afetos trocados entre aqueles que se encontram por ali, tornaram as imediações do Largo do Souto, até à metade superior da Rua João de Deus, o principal destino do adepto do Benfica, residente na região envolvente de S. João da Madeira.
Apesar de toda a desordem observada, da ocupação da rua, do incumprimento do código da estrada, não foi preciso um contingente policial para serenar ânimos. A espontaneidade levou à desmobilização, contrastando com receções a equipas de futebol nos aeroportos, em que uma dezena de adeptos irritados, obriga à presença de três dezenas de polícias. Provavelmente terão razão as forças de segurança, em propor que os clubes de futebol passem a pagar diretamente o policiamento, nos estádios e não só, pois assim, os seus dirigentes, após a apresentação da fatura, seriam mais comedidos e deixariam de incentivar o ódio, retomando o desporto a sua vertente mais lúdica.
Feito o intervalo, nas próximas semanas retomo a análise política.

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