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Misericórdia quer concluir Centro de Atividades Ocupacionais, neste momento em fase de pedreiro, para “prestar o melhor serviço” aos utentes do Lar Residencial inaugurado na semana passada

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Conclusão do CAO é o desafio que se segue

FOTO: Gisélia Nunes
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Misericórdia quer concluir Centro de Atividades Ocupacionais, neste momento em fase de pedreiro, para “prestar o melhor serviço” aos utentes do Lar Residencial inaugurado na semana passada

Em dia do seu 23º aniversário enquanto vila, Fajões viu o Lar Residencial do Pisão, “construído com o dinheiro do PARES” (Programa de Alargamento das Redes de Equipamentos Sociais), a ser finalmente inaugurado. Volvidos quatro anos desde a sua conclusão e perante uma forte possibilidade de fecho do Centro Social Drª Leonilda Aurora da Silva Matos que depois, graças à “entrada em cena” da Santa Casa da Misericórdia (SCM) de S. João da Madeira, não se concretizou, o equipamento social encontra-se de portas abertas e a servir 24 pessoas portadoras de deficiência, tendo até já “lista de espera”, conforme o labor adiantou em primeira mão na última edição.
No passado dia 21 de junho, depois da bênção das instalações pelo Bispo Auxiliar do Porto D. António Augusto Azevedo, o provedor da SCM abriu a sessão solene lembrando, precisamente, todo o “processo” que teve início em julho de 2017, com a abordagem do gestor da massa insolvente da instituição particular de solidariedade social (IPSS) fajonense, e culminou já em fevereiro deste ano. A este não faltaram “várias peripécias quase rocambolescas”, mas a “aceitação da nossa proposta, única apresentada, já na fase final da insolvência”, acabou por evitar “o desmantelamento e encerramento das várias respostas sociais”, referiu José António Pais Vieira.
Recorde-se que “em causa” estavam “a colocação de 43 idosos sem lar, 30 sem centro de dia, 35 idosos isolados sem apoio domiciliário e 40 crianças sem infantário” e ainda “o envio para o desemprego de 63 colaboradoras”. Além disso, “o recentemente construído Lar Residencial do Pisão para 24 portadores de deficiência e os apartamentos de autonomização para 10 utentes, investimento que rondou os dois milhões de euros, estavam em risco de não iniciar a sua ação e de ver todo o edifício e seu recheio degradarem-se”, conforme deu nota o responsável daquela que é “a maior instituição de caráter social do distrito de Aveiro” e que “desde há muito que estende a sua influência para além dos limites do concelho”.

“Esta falta de respostas é verdadeiramente dramática”
Ainda relativamente ao Lar Residencial, Pais Vieira afirmou tratar-se de “uma tipologia de equipamentos, que tem sido muito acarinhada pelos últimos governos e vem permitir o combate a uma das maiores lacunas que se encontram na estrutura social do país”. “Só as famílias que foram atingidas por esta vicissitude, de ter um ente com estas características, é que compreendem o alcance destas medidas. Os pais e mães vão envelhecendo, com um sofrimento imenso, de não saberem quem vai mais tarde tomar o seu lugar, no acompanhamento ao seu querido familiar deficiente”, completou a ideia.
Na sua ótica, “esta falta de respostas é verdadeiramente dramática”, contudo, “com a intervenção da nossa Misericórdia, conseguimos dar vida a este projeto e atenuar o sofrimento e angústia de muitas famílias”.

SCM pede ajuda à câmara oliveirense para concluir obra
Dando o bom exemplo do Município de S. João da Madeira, do qual “recebemos extraordinária cooperação dos executivos anteriores e estamos a ter toda a compreensão do atual senhor presidente para desenvolvermos diversas candidaturas em associação com a câmara”, Pais Vieira disse esperar “vir a ter com o executivo de Oliveira de Azeméis uma situação similar”.
Na ocasião, o provedor da Misericórdia chamou a atenção do edil oliveirense, ali presente, “para a necessidade de se concluírem as obras do CAO”. “Como vemos lá fora, a estrutura de pedreiro está levantada, é necessário agora entrarem as outras artes”, afirmou, acrescentando: “Neste momento, com as instalações que temos, não podemos prestar o melhor serviço. [Por isso] Se abrirem candidaturas aos fundos europeus que contemplem este tipo de obras irei bater à sua porta para encontramos uma solução que nos permita avançar”.
Em resposta, Joaquim Jorge garantiu que “vamos estar atentos ao quadro comunitário para concluir o CAO” e, aproveitando o “tempo de antena”, também agradeceu à SCM do município vizinho “o arrojo, a coragem e a determinação de abraçar este projeto” e de, assim, dar continuidade ao trabalho iniciado pela benemérita Leonilda Aurora da Silva Matos, já falecida.
Naquela tarde, o presidente da edilidade de Oliveira de Azeméis também fez questão de mostrar que “no concelho de Oliveira de Azeméis damos muita importância” à área social. Aliás, prova disso é, como exemplificou, a Comissão Municipal para a Deficiência, que existe desde 2006.
O “número um” do executivo municipal ainda pôs de lado quaisquer “bairrismos” entre oliveirenses e sanjoanenses. “Não existe bairrismo. Temos uma mente aberta, não pensamos pequeno”, deixou claro, assegurando que “a manutenção dos postos de trabalho e das respostas sociais [do Centro Social de Fajões] é o que realmente importa”.

Mais de 870 acordos protocolados com a Segurança Social
Manuel Ruivo, que chegou a conhecer Leonilda Aurora da Silva Matos no seu 90º aniversário e que acompanhou bem de perto parte da história da IPSS de Fajões tendo, inclusive, lançado a primeira pedra do Lar Residencial, foi outro dos que se fizeram ouvir neste ato inaugural. O diretor do Centro Distrital de Aveiro do Instituto da Segurança Social começou por lamentar “o que fizeram à herança” da comendadora, mas logo de seguida mudou de discurso, “puxando” pelo facto de “nem tudo” se ter perdido. Até porque, segundo fez ver, “o edificado está cá e salvaram-se o investimento público e os postos de trabalho”.
“O que interessa é que a obra funcione e preste serviço à comunidade onde está inserida. Não interessa se o gato é branco ou preto, interessa [isso sim] é que cace ratos”, defendeu, prosseguindo: “Importa agora que esta instituição faça a sua ‘caçada’ para bem da população do concelho e dos concelhos limítrofes”.
Quanto à Misericórdia sanjoanense, Manuel Ruivo, que está prestes a passar o testemunho ao novo diretor Fernando Mendonça, sublinhou que aquela “presta um serviço público que o Estado [sozinho] não consegue cumprir”, tendo, nesse sentido, mais de 870 acordos típicos protocolados com a Segurança Social.

Misericórdia felicitada por “passo ousado”
D. António Augusto Azevedo foi o interveniente que se seguiu. O Bispo Auxiliar do Porto desejou que “o projeto seja bem sucedido”, uma vez que “trata-se do renascer de uma instituição de inspiração cristã que estaria numa situação muito difícil”. Além disso, felicitou a SCM por este “passo ousado, mas responsável”.
Ainda a propósito da inauguração do Lar Residencial do Pisão, note-se que marcaram presença os quatro Irmãos beneméritos da SCM José da Silva Pinho, Manuel Castro Almeida, Paulo Cavaleiro e Alberto Pacheco; o presidente do Secretariado Regional de Aveiro da União das Misericórdias Portuguesas, Pina Marques; o autarca de S. João da Madeira, Jorge Sequeira; o vereador da Ação Social da autarquia de Oliveira de Azeméis, Rui Luzes Cabral; o líder da Junta de Freguesia da Vila de Fajões, Óscar Teixeira; entre outros convidados.



Misericórdia de S. João da Madeira em números

Respostas sociais: 26
Creches: 4
Ensino Pré-escolar: 3
ATL: 6
Centro de Acolhimento de Menores: 1
Lares de idosos: 3
Centros de dia: 2
Centro Comunitário: apoio a 185 famílias
O Trilho: apoio a toxicodependentes abstinentes e a seropositivos
Cantina Social: 45 refeições diárias + distribuição de alimentos secos a 110 pessoas da cidade
Lar Residencial para Pessoa com Deficiência: 24 utentes
Unidade de Cuidados Continuados: 31 camas
Colaboradores: 340
Utentes: 1.000 por dia + cerca de 850 beneficiários das respostas sociais de intervenção comunitária
Edifícios afetos à atividade social: 11 com uma área de construção próxima dos 20.000 m2
Recebeu do Estado pelos serviços prestados em 2017: 2.777.944,10 euros
Entregou ao Estado em impostos em 2017: cerca de 975.000 euros
Pagou em salários em 2017: cerca de 2.635.900,22 euros
Nota: em 2018 estes valores devem crescer cerca de 20%

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